Caderno de Saúde 01

Perfil Demográfico

Plano Municipal de Saúde 2026-2029

Município


1. Apresentação

Este Caderno integra a Análise de Situação de Saúde (ASIS) do PMS 2026-2029 de Moju. Seu objetivo é sistematizar e interpretar os dados demográficos do município, de modo que a equipe técnica da Secretaria Municipal de Saúde, o Conselho Municipal de Saúde e os demais atores do planejamento disponham de uma base analítica para identificar necessidades, definir prioridades e dimensionar a oferta de serviços de saúde.

Município: Moju (PA, IBGE 150470) Macrorregião de Saúde: Tocantins (nordeste paraense) Região de Saúde: Tocantins Porte: Médio (entre 50 mil e 100 mil habitantes) IDH-M: 0,547 (baixo, Censo 2010)

Sumário

  1. Sumário gerado automaticamente a partir das seções do caderno.

Resumo Executivo

Moju entra no PMS 2026-2029 com perfil demográfico marcado por crescimento expressivo, ampliado pela revisão do Censo 2022. Na janela 2015-2025 (IBGE/SIDRA agregado 6579 + Censo 2022 + estimativas pós-censitárias consolidadas no DW Akapu), o saldo da década é de +14.375 habitantes (+18,6%); no recorte pós-Censo 2022-2025, o saldo é de +3.544 habitantes (+4,02%). A estimativa do IBGE para 2026 é tipicamente publicada em julho de cada ano.

Para o sistema de saúde, o sinal a reter é o ritmo da transição demográfica: a leitura desses números, por si só, exige cautela e precisa ser combinada com indicadores de vulnerabilidade, fluxos migratórios, capacidade instalada da rede e perfil epidemiológico para tradução em prioridades de gestão. A capacidade instalada materno-infantil deve ser preservada e qualificada; a rede de atenção à pessoa idosa precisa ser ampliada de forma planejada ao longo do quadriênio.

Para o quadriênio, três frentes mínimas são prioritárias ao PMS:

  • Atualizar a leitura demográfica com a estimativa IBGE 2026 (esperada para julho/2026) e revisar metas de cobertura à luz da nova base.
  • Estruturar a linha de cuidado da pessoa idosa (Portaria GM/MS 2.528/2006 consolidada na PC GM/MS 2/2017, Anexo IX) e implantar atenção domiciliar (Portaria GM/MS 689/2023) compatíveis com o crescimento da faixa 60+.
  • Realizar limpeza periódica da base do e-SUS AB e cruzamento com SIM/SINASC, condição técnica para todos os indicadores de cobertura e financiamento (Saúde Brasil 360 — cofinanciamento federal do Piso APS (Portaria GM/MS 3.493/2024)).

2. Localização e território

Moju é município do nordeste paraense, na região do Baixo Tocantins, com economia baseada em agroindústria (especialmente dendê e pimenta-do-reino), pecuária, agricultura familiar e atividades relacionadas à logística da BR-010 e da hidrovia do Tocantins. Apresenta a maior população entre os municípios deste grupo.

2.1. Mapa do município

O território do município é apresentado a seguir com os limites oficiais. A leitura geográfica é insumo direto para a organização da rede de saúde, definindo dispersão da população, tempo de deslocamento até a sede municipal e até os polos regionais, e a viabilidade de equipes itinerantes ou de cobertura ribeirinha quando for o caso.

Fonte: malha territorial oficial do IBGE consolidada no Data Warehouse Akapu.

3. População total e série histórica (2015-2025)

AnoPopulaçãoVariação anual
201577.385-
201678.629+1.244 (+1,61%)
201779.825+1.196 (+1,52%)
201880.988+1.163 (+1,46%)
201982.094+1.106 (+1,37%)
202083.182+1.088 (+1,33%)
202184.251+1.069 (+1,29%)
202288.216+3.965 (+4,71%)
202389.474+1.258 (+1,43%)
202490.795+1.321 (+1,48%)
202591.760+965 (+1,06%)

Fonte: IBGE, estimativas populacionais anuais 2015-2021 (SIDRA, agregado 6579), Censo Demográfico 2022 e estimativas 2023-2025 consolidadas no Data Warehouse Akapu a partir das fontes oficiais do IBGE.

Ressalva metodológica. Quanto aos dados do IBGE, cabe registrar que há indícios de discrepâncias entre os resultados do Censo Demográfico 2022, as estimativas populacionais anuais e os registros locais de população utilizados no planejamento. Também foram observadas inconsistências na base do e-SUS AB, especialmente em cadastros ativos, inativações e duplicidades, o que pode produzir descasamento entre as informações. Por isso, IBGE e e-SUS AB são apresentados de forma comparativa, para subsidiar a análise técnica e a qualificação das bases de informação.

Análise

A população de Moju apresenta, no intervalo 2015-2025 segundo as estimativas oficiais do IBGE consolidadas no DW Akapu, crescimento expressivo, ampliado pelo Censo 2022. Entre 2015 (77.385 hab) e 2021 (84.251 hab), as estimativas anuais pré-censitárias seguiram trajetória própria; o Censo Demográfico 2022 (88.216 hab) elevou em +4,7% as projeções em relação à projeção de 2021 (+3.965 hab; +4,7%). Entre 2022 e 2025, as estimativas pós-Censo apontam 91.760 hab. No saldo da década (2015→2025), o resultado líquido é de +14.375 habitantes (+18,6%), a ser lido como tendência de fundo para o dimensionamento do sistema de saúde no quadriênio 2026-2029.

Esses números são insumo para todos os demais cadernos da ASIS: dimensionam o denominador para indicadores de cobertura e mortalidade, calibram metas do Saúde Brasil 360 — cofinanciamento federal do Piso APS (Portaria GM/MS 3.493/2024) e suportam a leitura da capacidade instalada (rede assistencial, força de trabalho, recursos financeiros).

3.1. Recorte pós-Censo 2022-2025

O recorte abaixo isola o intervalo pós-Censo 2022 para evidenciar a tendência efetivamente observada nas estimativas pós-censitárias do IBGE/DW Akapu (sem o ruído do salto entre a estimativa de 2021 e o resultado do Censo 2022) e permite ao gestor enxergar com clareza o ritmo da curva atual.

AnoPopulaçãoCrescimento absolutoTaxa de crescimento
202288.216--
202389.474+1.258+1,43%
202490.795+1.321+1,48%
202591.760+965+1,06%

No quadriênio 2022-2025, o município apresentou crescimento líquido de 3.544 habitantes (+4,02%), caracterizando uma trajetória de crescimento sustentado, com leve desaceleração. A leitura ano a ano permite identificar se o ritmo está se acentuando, estabilizando ou revertendo, sinal direto para o dimensionamento da rede no quadriênio 2026-2029.

3.2. Crescimento natural: nascimentos e óbitos no pós-Censo

Para qualificar a leitura da desaceleração populacional, o caderno compara a variação estimada pelo IBGE com o crescimento natural registrado nos sistemas de informação em saúde: nascidos vivos do SINASC e óbitos do SIM. O saldo natural não explica sozinho a variação populacional — que também depende de migração, revisão censitária e atualização cadastral —, mas indica se a dinâmica biológica do município pressiona a população para crescimento ou retração.

AnoNascidos vivosÓbitosSaldo natural
20221.168314+854
20231.169344+825
20241.106339+767
20251.123338+785
Total4.5661.335+3.231

No acumulado de 2022 a 2025, Moju registrou 4.566 nascidos vivos e 1.335 óbitos, resultando em saldo natural positivo de +3.231 pessoas. Isso significa que os nascimentos ainda superam os óbitos; portanto, quando a população estimada cai ou cresce menos do que esse saldo sugeriria, a principal hipótese de planejamento passa a ser migração líquida negativa, revisão da base populacional ou inconsistência cadastral, e não ausência de nascimentos.

Em 2025, o saldo natural foi de +785 (1.123 nascimentos e 338 óbitos). Para o PMS 2026-2029, a implicação prática é que a desaceleração deve ser interpretada junto com a natalidade, a mortalidade e a mobilidade populacional: a rede materno-infantil não pode ser reduzida automaticamente, enquanto a linha de cuidado da pessoa idosa precisa crescer porque os óbitos acompanham o envelhecimento e a maior carga de condições crônicas.

População e-SUS AB no DW

IndicadorValor
População IBGE 202591.760
Cidadãos vivos ativos no e-SUS AB57.210
Total de cidadãos cadastrados no e-SUS AB57.731
Diferença e-SUS AB vs IBGE-34.550 (-37,7%)

A população operacional do e-SUS AB no DW soma 57.210 cidadãos vivos ativos. Esse número não substitui a população oficial do IBGE, mas é indispensável para interpretar cobertura, cadastro territorial, financiamento da APS e possíveis distorções dos indicadores. Diferenças relevantes entre e-SUS AB e IBGE devem orientar higienização cadastral, busca de duplicidades, inativação de óbitos e atualização de mudanças de domicílio.

Fonte: nascimentos do SINASC, base local municipal; óbitos do SIM, base local municipal. População e-SUS AB: e-SUS AB, base local municipal. Quando a base local SIM/SINASC/SINAN não está disponível no Data Warehouse Akapu, o caderno usa as bases federais DATASUS correspondentes e registra essa substituição na Nota Técnica de apresentação.

3.3. Projeção populacional para 2029 (fim do quadriênio PMS)

Esta subseção apresenta a projeção da população residente de Moju para o final do quadriênio do PMS 2026-2029. A projeção é estimada por regressão linear simples sobre a série pós-Censo 2022-2025, janela escolhida deliberadamente para evitar misturar a ruptura censitária de 2022 com a tendência efetivamente observada nas estimativas pós-censitárias. Intervalo de confiança 95% para 2029: 96.009-97.262.

AnoPopulaçãoCrescimento absolutoTaxa de crescimentoStatus
202591.760--Observado
202692.955+1.195+1,30%Projeção
202794.151+1.196+1,29%Projeção
202895.346+1.195+1,27%Projeção
202996.635+1.289+1,35%Projeção

Em 2029, a população projetada de Moju é de aproximadamente 96.635 habitantes (+4.875 hab; +5,31%) em relação a 2025, mantendo a taxa anual média observada no pós-Censo de +1.195 hab/ano. Essa projeção é insumo técnico de planejamento e não substitui a estimativa oficial IBGE/TCU quando publicada para o ano corrente: ao final de cada julho do ciclo, o caderno deve ser revisto à luz das novas estimativas anuais.

Para o PMS 2026-2029, a leitura prática é: o município deve dimensionar capacidade da rede, metas de cobertura e planejamento orçamentário considerando uma trajetória de crescimento ao longo do quadriênio. A projeção dialoga diretamente com as implicações descritas na subseção 3.4 e com os recortes específicos da pirâmide etária, do crescimento natural (nascimentos × óbitos) e da limpeza cadastral do e-SUS AB.

3.4. Implicações da desaceleração demográfica para o PMS 2026-2029

A trajetória demográfica de Moju no intervalo pós-Censo 2022-2025 é de crescimento sustentado, com leve desaceleração após o Censo 2022: saldo líquido de +3.544 habitantes (+4,02%) no quadriênio. O Censo 2022 ajustou em +4,71% (+3.965 hab) a projeção pré-censitária de 2021, e a década 2015-2025 fechou com +14.375 habitantes (+18,6%). O município é exceção no grupo de municípios paraenses analisados: ainda apresenta crescimento, ainda que com sinais de desaceleração. A demanda, porém, também muda de perfil — a base infantil reduz seu peso relativo enquanto a faixa 60+ avança, mesmo com a população total em alta.

Impacto direto no financiamento per capita. O Saúde Brasil 360 — cofinanciamento federal do Piso APS (Portaria GM/MS 3.493/2024) — e o PAB usam o denominador populacional. Mesmo com a população em crescimento, o custo per capita aumenta com o envelhecimento (idoso consome mais consultas, exames, medicamentos contínuos e atenção domiciliar). O ritmo de despesa pode crescer mais que o ritmo de transferência. O DOMI do PMS 2026-2029 precisa antecipar essa assimetria, prever fontes próprias para o aumento de custo idoso e revisar metas de cobertura à luz da nova base populacional.

Distorção dos indicadores em vigência e prioridade da limpeza cadastral. As metas do PMS 2022-2025 e os pactos do então Previne Brasil (substituído em 2024 pelo cofinanciamento federal do Piso APS, no âmbito do Saúde Brasil 360 — Portaria GM/MS 3.493/2024) foram fixados sobre estimativas pré-Censo, agora corrigidas. Algumas coberturas reportadas como "atingidas" no quadriênio anterior, recalculadas com a base do Censo 2022, podem não ter sido atingidas — o RAG/RDQA do quadriênio anterior precisa ser relido com essa lente. Mesmo em municípios com crescimento, o cadastro do e-SUS AB pode acumular registros desatualizados que distorcem os indicadores de cobertura: a limpeza cadastral periódica, com integração ao SIM e verificação em campo pelos ACS, deve ser meta explícita do primeiro ano do PMS 2026-2029, antes de qualquer outra meta de cobertura.

Migração, força de trabalho e pressão regional. O crescimento de Moju pressiona simultaneamente a rede municipal e a rede regional. Cametá (Região de Saúde Tocantins) e Belém para média/alta complexidade é o polo de referência para média e alta complexidade. Para o sistema de saúde, isso significa: (i) dificuldade crescente de fixação de médicos e enfermeiros em vínculo permanente, ampliando a dependência de PMMB e contratação temporária — exatamente o oposto do que o envelhecimento exige (longitudinalidade do cuidado); (ii) aumento do TFD (Tratamento Fora do Domicílio) para média e alta complexidade, com pressão sobre o município-polo regional, exigindo pactuação reforçada via CIR.

Posição estratégica para o PMS 2026-2029. É a maior população entre os municípios do grupo (91.760 hab em 2025) e o único com pressão real de expansão da rede. Mesmo com leve desaceleração no biênio 2024-2025 (+1,06% em 2025), a trajetória é de crescimento sustentado. O risco aqui é o oposto dos demais: defasagem da capacidade instalada em relação à demanda. A recomendação é antecipar o dimensionamento da rede para acompanhar o crescimento, com foco em três frentes: (i) expansão planejada da APS, com metas de cobertura compatíveis com a nova base populacional e fixação de profissionais em vínculo permanente; (ii) construção da linha de cuidado da pessoa idosa, mesmo com a população total em alta, pois o ritmo de envelhecimento já se sobrepõe ao ritmo de crescimento; (iii) pactuação regional via CIR para garantir referência em média e alta complexidade compatível com a demanda crescente.

4. Pirâmide etária (2025)

Faixa etáriaMasculinoFemininoTotal%
0-43.9543.7867.7408,4%
5-94.1043.9208.0248,7%
10-144.1703.8978.0678,8%
15-194.4744.1688.6429,4%
20-298.7158.03516.75018,3%
30-397.7147.15314.86716,2%
40-496.5025.50612.00813,1%
50-594.3433.5567.8998,6%
60-692.5261.9804.5064,9%
70-791.2471.0392.2862,5%
80+4864859711,1%
Total48.23543.52591.760100,0%

Análise da estrutura

A pirâmide etária de Moju em 2025 tem perfil jovem em transição, com base ainda expressiva, mas já menos expansiva que no passado recente. A leitura central para o PMS 2026-2029 não é apenas o tamanho da população, mas a combinação entre entrada menor de crianças, concentração de adultos e crescimento progressivo do contingente de 60 anos ou mais.

A base mostra retração recente: a faixa 0-4 anos reúne 7.740 pessoas (8,4%), abaixo de 5-9 anos (8.024) e de 10-14 anos (8.067). Esse desenho sugere queda recente da fecundidade e tende a aliviar, de forma gradual, a pressão por expansão de vagas e ações voltadas à primeira infância.

O bojo populacional está nas idades adultas: o grupo de 20 a 59 anos soma 51.524 pessoas (56,2%), com maior concentração em 20-29 anos (16.750 pessoas). Isso sustenta a pressão cotidiana sobre saúde da mulher, saúde do trabalhador, saúde mental e acompanhamento de hipertensão, diabetes e outras condições crônicas na APS.

O topo da pirâmide já exige planejamento específico. A população de 60 anos ou mais soma 7.763 pessoas (8,5%), patamar que tende a crescer durante o quadriênio e demanda linha de cuidado da pessoa idosa, atenção domiciliar, prevenção de quedas, cuidado farmacêutico e manejo de multimorbidades.

A razão de sexo total é de 110,8 homens para cada 100 mulheres, sem inversão feminina nas faixas etárias agregadas da tabela. Essa predominância masculina exige atenção específica a saúde do homem, causas externas, trabalho e adesão ao acompanhamento longitudinal na APS.

5. Grandes grupos etários

GrupoPopulação%
Crianças (0-14 anos)23.83126,0%
Adolescentes (15-19 anos)8.6429,4%
Adultos (20-59 anos)51.52456,2%
Idosos (60+ anos)7.7638,5%
Total91.760100,0%

Análise por grupo

As crianças de 0 a 14 anos somam 23.831 pessoas (26,0%). Mesmo quando a base infantil começa a retrair, o volume ainda exige agenda forte de puericultura, vacinação, vigilância nutricional, saúde bucal infantil e busca ativa de famílias em maior vulnerabilidade.

Os adolescentes de 15 a 19 anos representam 8.642 pessoas (9,4%). O grupo precisa aparecer no PMS com ações de saúde sexual e reprodutiva, saúde mental, prevenção de violências e acidentes, além de articulação permanente com educação e assistência social.

Os adultos de 20 a 59 anos são o eixo demográfico do município, com 51.524 pessoas (56,2%). Essa concentração exige uma APS capaz de manter acesso oportuno, acompanhamento longitudinal de condições crônicas, cuidado pré-natal e puerperal, saúde do trabalhador e ações de redução de riscos relacionados a álcool, violências e acidentes.

Os idosos somam 7.763 pessoas (8,5%). A pressão ainda pode parecer menor que a demanda adulta, mas é a que mais tende a crescer em complexidade: multimorbidade, uso contínuo de medicamentos, reabilitação, prevenção de quedas, cuidado domiciliar e integração com a proteção social.

Para o PMS 2026-2029, a síntese é organizar a rede para duas velocidades: manter resposta robusta às demandas de crianças, adolescentes e adultos no curto prazo, e antecipar capacidade para o envelhecimento no médio prazo. Essa leitura deve orientar metas de cobertura, agenda programática da APS, qualificação do cadastro e pactuação regional dos pontos de atenção que o município não consegue resolver sozinho.

6. Índice de dependência e razão de sexo

Índice de dependência

ComponenteCálculoValor
Dependência juvenil (0-14)23.831 / 60.16639,6%
Dependência senil (60+)7.763 / 60.16612,9%
Dependência total31.594 / 60.16652,5%

Pela convenção etária do indicador, para cada 100 pessoas de 15 a 59 anos existem cerca de 53 pessoas fora dessa faixa (0-14 ou 60+). Em Moju, a leitura deve combinar a pressão da base infantil (39,6%) com o peso crescente do segmento 60+ (12,9%).

Como ler este indicador

O índice de dependência é uma medida estrutural de composição etária. No Brasil, segue a metodologia do DATASUS/RIPSA — Indicador A.16 (Razão de Dependência), que adota explicitamente POPA0014 (0-14 anos) e POPA6099 (60 anos ou mais) como população dependente e POPA1559 (15-59 anos) como população em idade ativa — recorte alinhado à definição de pessoa idosa do Estatuto da Pessoa Idosa (Lei 10.741/2003, art. 1º). Não é um diagnóstico de dependência econômica ou funcional efetiva.

Em municípios rurais e de menor renda, parcela expressiva da população 60+ permanece economicamente ativa, sustentada por aposentadoria rural (Lei 8.213/1991, art. 39 e 143), BPC (Lei 8.742/1993, art. 20) e arranjos familiares em que o trabalho continuado de pessoas idosas é determinante para a subsistência.

Para o planejamento, este caderno usa o índice como sinalizador de tendência demográfica — não como medida da carga efetiva sobre a economia familiar ou sobre o sistema de saúde. A demanda real por serviços da pessoa idosa exige análise complementar sobre capacidade funcional, multimorbidade, suporte familiar, moradia e renda.

Razão de sexo: 110,8 homens para cada 100 mulheres

A razão de sexo geral é de 110,8 homens para cada 100 mulheres. Não há inversão feminina clara nas faixas idosas agregadas, o que deve ser acompanhado em novas estimativas etárias. A leitura por faixa ajuda a orientar ações de saúde do homem, prevenção de causas externas, saúde sexual e reprodutiva e cuidado longitudinal da pessoa idosa.

FaixaMasculinoFemininoRazão H/100M
0-43.9543.786104,4
5-94.1043.920104,7
10-144.1703.897107,0
15-194.4744.168107,3
20-298.7158.035108,5
30-397.7147.153107,8
40-496.5025.506118,1
50-594.3433.556122,1
60-692.5261.980127,6
70-791.2471.039120,0
80+486485100,2

7. Transição demográfica: sinais para o PMS 2026-2029

Composição etária de 2025

GrupoPopulação% do total
Crianças (0-14)23.83126,0%
Adolescentes (15-19)8.6429,4%
Adultos (20-59)51.52456,2%
Idosos (60+)7.7638,5%
Tendência populacional pós-Censo: entre 2022 e 2025, a população passou de 88.216 para 91.760 habitantes, com saldo de +3.544 (+4,0%). O sinal demográfico para o PMS é de crescimento, mas o dimensionamento da rede deve observar a composição etária e não apenas o volume total.

Base da pirâmide e topo idoso

RecortePopulação% do total
0-4 anos7.7408,4%
5-9 anos8.0248,7%
10-14 anos8.0678,8%
60-69 anos4.5064,9%
70-79 anos2.2862,5%
80+ anos9711,1%

A base infantil (0-14) soma 23.831 pessoas, enquanto o grupo 60+ soma 7.763 pessoas. Essa combinação exige preservar capacidade materno-infantil e, ao mesmo tempo, antecipar linhas de cuidado para idosos, sobretudo quando o cadastro, os fluxos vitais e a dispersão territorial pressionam a APS.

Componentes do balanço demográfico recente

Pelo SINASC local, foram registrados 4.566 nascidos vivos entre 2022 e 2025; pelo SIM local, foram registrados 1.335 óbitos, resultando em saldo natural de +3.231 no período. No último ano observado, os registros apontam 1.123 nascimentos, 338 óbitos e saldo de +785.

Como referência operacional para a APS, o e-SUS AB municipal registra 57.210 cadastros ativos sem óbito para uma população IBGE 2025 de 91.760 habitantes (62,3% da população oficial). Essa diferença deve ser tratada como pauta de higienização cadastral e pactuação entre população territorial e população operacional.

8. Implicações para o planejamento em saúde

8.1. Reorganização da atenção materno-infantil

A população de 0-14 anos ainda é numerosa em termos absolutos (23.831 pessoas). O PMS deve preservar puericultura, vacinação, vigilância nutricional, saúde bucal infantil e busca ativa, com qualificação do cuidado por criança acompanhada.

8.2. Atenção ao adolescente

A faixa 15-19 soma 8.642 pessoas. O planejamento deve prever saúde sexual e reprodutiva, prevenção de gravidez precoce, saúde mental, prevenção de violências e articulação com escolas e assistência social.

8.3. Expansão da atenção ao idoso

O grupo 60+ soma 7.763 pessoas (8,5%). A rede deve avançar em cuidado domiciliar, estratificação de risco, acompanhamento de hipertensão e diabetes, prevenção de quedas e integração com proteção social.

8.4. Enfrentamento das causas externas e saúde do homem

A razão de sexo e a distribuição por idade devem orientar ações de saúde do homem, prevenção de acidentes e violências, vigilância de causas externas e organização da urgência, especialmente nas faixas jovens e adultas.

8.5. Dimensionamento e adequação da APS

A trajetória de crescimento populacional não autoriza reduzir capacidade de cuidado. O PMS deve ajustar cobertura, agendas programáticas e denominadores usando IBGE como população oficial e e-SUS AB como base operacional de acompanhamento.

8.6. Vigilância em saúde e condições sensíveis à APS

A combinação de vulnerabilidade social, demanda infantil, DCNT em adultos e crescimento relativo dos idosos exige monitoramento de ICSAP, imunização, agravos crônicos, saúde mental e eventos evitáveis.

9. Problemas identificados

#Problema identificadoEvidência
P1Índice de dependência demográfica de 52,5% sinaliza pressão simultânea da base infantil e do envelhecimento sobre a redeCálculo etário 2025; seção 6
P2Grupo 60+ soma 7.763 pessoas (8,5%), exigindo expansão progressiva de cuidado à pessoa idosaEstrutura etária 2025
P3Base infantil 0-14 soma 23.831 pessoas (26,0%), mantendo demanda relevante de puericultura, vacinação e vigilância nutricionalGrandes grupos etários 2025
P4Trajetória populacional pós-Censo 2022-2025 em crescimento, com saldo de +3.544 habitantes (+4,0%)Série IBGE 2022-2025
P5Saldo natural positivo de 3.231 pessoas no quadriênio, que precisa ser lido junto com migração, revisão censitária e cadastro e-SUSSINASC/SIM local 2022-2025
P6Diferença entre população e-SUS AB ativa e população IBGE 2025 (62,3%) exige higienização cadastral e regra clara de denominadorese-SUS AB local x IBGE 2025

Fonte dos dados demográficos: IBGE, Censo 2022 e estimativas populacionais consolidadas no Data Warehouse Akapu a partir das fontes oficiais do IBGE, consulta em abril de 2026. Dados complementares: SINASC, SIM e e-SUS AB local quando disponível.


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