Perfil Demográfico
Plano Municipal de Saúde 2026-2029
Município
1. Apresentação
Este Caderno integra a Análise de Situação de Saúde (ASIS) do PMS 2026-2029 de Moju. Seu objetivo é sistematizar e interpretar os dados demográficos do município, de modo que a equipe técnica da Secretaria Municipal de Saúde, o Conselho Municipal de Saúde e os demais atores do planejamento disponham de uma base analítica para identificar necessidades, definir prioridades e dimensionar a oferta de serviços de saúde.
Sumário
- Sumário gerado automaticamente a partir das seções do caderno.
Resumo Executivo
Moju entra no PMS 2026-2029 com perfil demográfico marcado por crescimento expressivo, ampliado pela revisão do Censo 2022. Na janela 2015-2025 (IBGE/SIDRA agregado 6579 + Censo 2022 + estimativas pós-censitárias consolidadas no DW Akapu), o saldo da década é de +14.375 habitantes (+18,6%); no recorte pós-Censo 2022-2025, o saldo é de +3.544 habitantes (+4,02%). A estimativa do IBGE para 2026 é tipicamente publicada em julho de cada ano.
Para o sistema de saúde, o sinal a reter é o ritmo da transição demográfica: a leitura desses números, por si só, exige cautela e precisa ser combinada com indicadores de vulnerabilidade, fluxos migratórios, capacidade instalada da rede e perfil epidemiológico para tradução em prioridades de gestão. A capacidade instalada materno-infantil deve ser preservada e qualificada; a rede de atenção à pessoa idosa precisa ser ampliada de forma planejada ao longo do quadriênio.
Para o quadriênio, três frentes mínimas são prioritárias ao PMS:
- Atualizar a leitura demográfica com a estimativa IBGE 2026 (esperada para julho/2026) e revisar metas de cobertura à luz da nova base.
- Estruturar a linha de cuidado da pessoa idosa (Portaria GM/MS 2.528/2006 consolidada na PC GM/MS 2/2017, Anexo IX) e implantar atenção domiciliar (Portaria GM/MS 689/2023) compatíveis com o crescimento da faixa 60+.
- Realizar limpeza periódica da base do e-SUS AB e cruzamento com SIM/SINASC, condição técnica para todos os indicadores de cobertura e financiamento (Saúde Brasil 360 — cofinanciamento federal do Piso APS (Portaria GM/MS 3.493/2024)).
2. Localização e território
Moju é município do nordeste paraense, na região do Baixo Tocantins, com economia baseada em agroindústria (especialmente dendê e pimenta-do-reino), pecuária, agricultura familiar e atividades relacionadas à logística da BR-010 e da hidrovia do Tocantins. Apresenta a maior população entre os municípios deste grupo.
2.1. Mapa do município
O território do município é apresentado a seguir com os limites oficiais. A leitura geográfica é insumo direto para a organização da rede de saúde, definindo dispersão da população, tempo de deslocamento até a sede municipal e até os polos regionais, e a viabilidade de equipes itinerantes ou de cobertura ribeirinha quando for o caso.
Fonte: malha territorial oficial do IBGE consolidada no Data Warehouse Akapu.
3. População total e série histórica (2015-2025)
| Ano | População | Variação anual |
|---|---|---|
| 2015 | 77.385 | - |
| 2016 | 78.629 | +1.244 (+1,61%) |
| 2017 | 79.825 | +1.196 (+1,52%) |
| 2018 | 80.988 | +1.163 (+1,46%) |
| 2019 | 82.094 | +1.106 (+1,37%) |
| 2020 | 83.182 | +1.088 (+1,33%) |
| 2021 | 84.251 | +1.069 (+1,29%) |
| 2022 | 88.216 | +3.965 (+4,71%) |
| 2023 | 89.474 | +1.258 (+1,43%) |
| 2024 | 90.795 | +1.321 (+1,48%) |
| 2025 | 91.760 | +965 (+1,06%) |
Fonte: IBGE, estimativas populacionais anuais 2015-2021 (SIDRA, agregado 6579), Censo Demográfico 2022 e estimativas 2023-2025 consolidadas no Data Warehouse Akapu a partir das fontes oficiais do IBGE.
Análise
A população de Moju apresenta, no intervalo 2015-2025 segundo as estimativas oficiais do IBGE consolidadas no DW Akapu, crescimento expressivo, ampliado pelo Censo 2022. Entre 2015 (77.385 hab) e 2021 (84.251 hab), as estimativas anuais pré-censitárias seguiram trajetória própria; o Censo Demográfico 2022 (88.216 hab) elevou em +4,7% as projeções em relação à projeção de 2021 (+3.965 hab; +4,7%). Entre 2022 e 2025, as estimativas pós-Censo apontam 91.760 hab. No saldo da década (2015→2025), o resultado líquido é de +14.375 habitantes (+18,6%), a ser lido como tendência de fundo para o dimensionamento do sistema de saúde no quadriênio 2026-2029.
Esses números são insumo para todos os demais cadernos da ASIS: dimensionam o denominador para indicadores de cobertura e mortalidade, calibram metas do Saúde Brasil 360 — cofinanciamento federal do Piso APS (Portaria GM/MS 3.493/2024) e suportam a leitura da capacidade instalada (rede assistencial, força de trabalho, recursos financeiros).
3.1. Recorte pós-Censo 2022-2025
O recorte abaixo isola o intervalo pós-Censo 2022 para evidenciar a tendência efetivamente observada nas estimativas pós-censitárias do IBGE/DW Akapu (sem o ruído do salto entre a estimativa de 2021 e o resultado do Censo 2022) e permite ao gestor enxergar com clareza o ritmo da curva atual.
| Ano | População | Crescimento absoluto | Taxa de crescimento |
|---|---|---|---|
| 2022 | 88.216 | - | - |
| 2023 | 89.474 | +1.258 | +1,43% |
| 2024 | 90.795 | +1.321 | +1,48% |
| 2025 | 91.760 | +965 | +1,06% |
No quadriênio 2022-2025, o município apresentou crescimento líquido de 3.544 habitantes (+4,02%), caracterizando uma trajetória de crescimento sustentado, com leve desaceleração. A leitura ano a ano permite identificar se o ritmo está se acentuando, estabilizando ou revertendo, sinal direto para o dimensionamento da rede no quadriênio 2026-2029.
3.2. Crescimento natural: nascimentos e óbitos no pós-Censo
Para qualificar a leitura da desaceleração populacional, o caderno compara a variação estimada pelo IBGE com o crescimento natural registrado nos sistemas de informação em saúde: nascidos vivos do SINASC e óbitos do SIM. O saldo natural não explica sozinho a variação populacional — que também depende de migração, revisão censitária e atualização cadastral —, mas indica se a dinâmica biológica do município pressiona a população para crescimento ou retração.
| Ano | Nascidos vivos | Óbitos | Saldo natural |
|---|---|---|---|
| 2022 | 1.168 | 314 | +854 |
| 2023 | 1.169 | 344 | +825 |
| 2024 | 1.106 | 339 | +767 |
| 2025 | 1.123 | 338 | +785 |
| Total | 4.566 | 1.335 | +3.231 |
No acumulado de 2022 a 2025, Moju registrou 4.566 nascidos vivos e 1.335 óbitos, resultando em saldo natural positivo de +3.231 pessoas. Isso significa que os nascimentos ainda superam os óbitos; portanto, quando a população estimada cai ou cresce menos do que esse saldo sugeriria, a principal hipótese de planejamento passa a ser migração líquida negativa, revisão da base populacional ou inconsistência cadastral, e não ausência de nascimentos.
Em 2025, o saldo natural foi de +785 (1.123 nascimentos e 338 óbitos). Para o PMS 2026-2029, a implicação prática é que a desaceleração deve ser interpretada junto com a natalidade, a mortalidade e a mobilidade populacional: a rede materno-infantil não pode ser reduzida automaticamente, enquanto a linha de cuidado da pessoa idosa precisa crescer porque os óbitos acompanham o envelhecimento e a maior carga de condições crônicas.
População e-SUS AB no DW
| Indicador | Valor |
|---|---|
| População IBGE 2025 | 91.760 |
| Cidadãos vivos ativos no e-SUS AB | 57.210 |
| Total de cidadãos cadastrados no e-SUS AB | 57.731 |
| Diferença e-SUS AB vs IBGE | -34.550 (-37,7%) |
A população operacional do e-SUS AB no DW soma 57.210 cidadãos vivos ativos. Esse número não substitui a população oficial do IBGE, mas é indispensável para interpretar cobertura, cadastro territorial, financiamento da APS e possíveis distorções dos indicadores. Diferenças relevantes entre e-SUS AB e IBGE devem orientar higienização cadastral, busca de duplicidades, inativação de óbitos e atualização de mudanças de domicílio.
Fonte: nascimentos do SINASC, base local municipal; óbitos do SIM, base local municipal. População e-SUS AB: e-SUS AB, base local municipal. Quando a base local SIM/SINASC/SINAN não está disponível no Data Warehouse Akapu, o caderno usa as bases federais DATASUS correspondentes e registra essa substituição na Nota Técnica de apresentação.
3.3. Projeção populacional para 2029 (fim do quadriênio PMS)
Esta subseção apresenta a projeção da população residente de Moju para o final do quadriênio do PMS 2026-2029. A projeção é estimada por regressão linear simples sobre a série pós-Censo 2022-2025, janela escolhida deliberadamente para evitar misturar a ruptura censitária de 2022 com a tendência efetivamente observada nas estimativas pós-censitárias. Intervalo de confiança 95% para 2029: 96.009-97.262.
| Ano | População | Crescimento absoluto | Taxa de crescimento | Status |
|---|---|---|---|---|
| 2025 | 91.760 | - | - | Observado |
| 2026 | 92.955 | +1.195 | +1,30% | Projeção |
| 2027 | 94.151 | +1.196 | +1,29% | Projeção |
| 2028 | 95.346 | +1.195 | +1,27% | Projeção |
| 2029 | 96.635 | +1.289 | +1,35% | Projeção |
Em 2029, a população projetada de Moju é de aproximadamente 96.635 habitantes (+4.875 hab; +5,31%) em relação a 2025, mantendo a taxa anual média observada no pós-Censo de +1.195 hab/ano. Essa projeção é insumo técnico de planejamento e não substitui a estimativa oficial IBGE/TCU quando publicada para o ano corrente: ao final de cada julho do ciclo, o caderno deve ser revisto à luz das novas estimativas anuais.
Para o PMS 2026-2029, a leitura prática é: o município deve dimensionar capacidade da rede, metas de cobertura e planejamento orçamentário considerando uma trajetória de crescimento ao longo do quadriênio. A projeção dialoga diretamente com as implicações descritas na subseção 3.4 e com os recortes específicos da pirâmide etária, do crescimento natural (nascimentos × óbitos) e da limpeza cadastral do e-SUS AB.
3.4. Implicações da desaceleração demográfica para o PMS 2026-2029
A trajetória demográfica de Moju no intervalo pós-Censo 2022-2025 é de crescimento sustentado, com leve desaceleração após o Censo 2022: saldo líquido de +3.544 habitantes (+4,02%) no quadriênio. O Censo 2022 ajustou em +4,71% (+3.965 hab) a projeção pré-censitária de 2021, e a década 2015-2025 fechou com +14.375 habitantes (+18,6%). O município é exceção no grupo de municípios paraenses analisados: ainda apresenta crescimento, ainda que com sinais de desaceleração. A demanda, porém, também muda de perfil — a base infantil reduz seu peso relativo enquanto a faixa 60+ avança, mesmo com a população total em alta.
Impacto direto no financiamento per capita. O Saúde Brasil 360 — cofinanciamento federal do Piso APS (Portaria GM/MS 3.493/2024) — e o PAB usam o denominador populacional. Mesmo com a população em crescimento, o custo per capita aumenta com o envelhecimento (idoso consome mais consultas, exames, medicamentos contínuos e atenção domiciliar). O ritmo de despesa pode crescer mais que o ritmo de transferência. O DOMI do PMS 2026-2029 precisa antecipar essa assimetria, prever fontes próprias para o aumento de custo idoso e revisar metas de cobertura à luz da nova base populacional.
Distorção dos indicadores em vigência e prioridade da limpeza cadastral. As metas do PMS 2022-2025 e os pactos do então Previne Brasil (substituído em 2024 pelo cofinanciamento federal do Piso APS, no âmbito do Saúde Brasil 360 — Portaria GM/MS 3.493/2024) foram fixados sobre estimativas pré-Censo, agora corrigidas. Algumas coberturas reportadas como "atingidas" no quadriênio anterior, recalculadas com a base do Censo 2022, podem não ter sido atingidas — o RAG/RDQA do quadriênio anterior precisa ser relido com essa lente. Mesmo em municípios com crescimento, o cadastro do e-SUS AB pode acumular registros desatualizados que distorcem os indicadores de cobertura: a limpeza cadastral periódica, com integração ao SIM e verificação em campo pelos ACS, deve ser meta explícita do primeiro ano do PMS 2026-2029, antes de qualquer outra meta de cobertura.
Migração, força de trabalho e pressão regional. O crescimento de Moju pressiona simultaneamente a rede municipal e a rede regional. Cametá (Região de Saúde Tocantins) e Belém para média/alta complexidade é o polo de referência para média e alta complexidade. Para o sistema de saúde, isso significa: (i) dificuldade crescente de fixação de médicos e enfermeiros em vínculo permanente, ampliando a dependência de PMMB e contratação temporária — exatamente o oposto do que o envelhecimento exige (longitudinalidade do cuidado); (ii) aumento do TFD (Tratamento Fora do Domicílio) para média e alta complexidade, com pressão sobre o município-polo regional, exigindo pactuação reforçada via CIR.
Posição estratégica para o PMS 2026-2029. É a maior população entre os municípios do grupo (91.760 hab em 2025) e o único com pressão real de expansão da rede. Mesmo com leve desaceleração no biênio 2024-2025 (+1,06% em 2025), a trajetória é de crescimento sustentado. O risco aqui é o oposto dos demais: defasagem da capacidade instalada em relação à demanda. A recomendação é antecipar o dimensionamento da rede para acompanhar o crescimento, com foco em três frentes: (i) expansão planejada da APS, com metas de cobertura compatíveis com a nova base populacional e fixação de profissionais em vínculo permanente; (ii) construção da linha de cuidado da pessoa idosa, mesmo com a população total em alta, pois o ritmo de envelhecimento já se sobrepõe ao ritmo de crescimento; (iii) pactuação regional via CIR para garantir referência em média e alta complexidade compatível com a demanda crescente.
4. Pirâmide etária (2025)
| Faixa etária | Masculino | Feminino | Total | % |
|---|---|---|---|---|
| 0-4 | 3.954 | 3.786 | 7.740 | 8,4% |
| 5-9 | 4.104 | 3.920 | 8.024 | 8,7% |
| 10-14 | 4.170 | 3.897 | 8.067 | 8,8% |
| 15-19 | 4.474 | 4.168 | 8.642 | 9,4% |
| 20-29 | 8.715 | 8.035 | 16.750 | 18,3% |
| 30-39 | 7.714 | 7.153 | 14.867 | 16,2% |
| 40-49 | 6.502 | 5.506 | 12.008 | 13,1% |
| 50-59 | 4.343 | 3.556 | 7.899 | 8,6% |
| 60-69 | 2.526 | 1.980 | 4.506 | 4,9% |
| 70-79 | 1.247 | 1.039 | 2.286 | 2,5% |
| 80+ | 486 | 485 | 971 | 1,1% |
| Total | 48.235 | 43.525 | 91.760 | 100,0% |
Análise da estrutura
A pirâmide etária de Moju em 2025 tem perfil jovem em transição, com base ainda expressiva, mas já menos expansiva que no passado recente. A leitura central para o PMS 2026-2029 não é apenas o tamanho da população, mas a combinação entre entrada menor de crianças, concentração de adultos e crescimento progressivo do contingente de 60 anos ou mais.
A base mostra retração recente: a faixa 0-4 anos reúne 7.740 pessoas (8,4%), abaixo de 5-9 anos (8.024) e de 10-14 anos (8.067). Esse desenho sugere queda recente da fecundidade e tende a aliviar, de forma gradual, a pressão por expansão de vagas e ações voltadas à primeira infância.
O bojo populacional está nas idades adultas: o grupo de 20 a 59 anos soma 51.524 pessoas (56,2%), com maior concentração em 20-29 anos (16.750 pessoas). Isso sustenta a pressão cotidiana sobre saúde da mulher, saúde do trabalhador, saúde mental e acompanhamento de hipertensão, diabetes e outras condições crônicas na APS.
O topo da pirâmide já exige planejamento específico. A população de 60 anos ou mais soma 7.763 pessoas (8,5%), patamar que tende a crescer durante o quadriênio e demanda linha de cuidado da pessoa idosa, atenção domiciliar, prevenção de quedas, cuidado farmacêutico e manejo de multimorbidades.
A razão de sexo total é de 110,8 homens para cada 100 mulheres, sem inversão feminina nas faixas etárias agregadas da tabela. Essa predominância masculina exige atenção específica a saúde do homem, causas externas, trabalho e adesão ao acompanhamento longitudinal na APS.
5. Grandes grupos etários
| Grupo | População | % |
|---|---|---|
| Crianças (0-14 anos) | 23.831 | 26,0% |
| Adolescentes (15-19 anos) | 8.642 | 9,4% |
| Adultos (20-59 anos) | 51.524 | 56,2% |
| Idosos (60+ anos) | 7.763 | 8,5% |
| Total | 91.760 | 100,0% |
Análise por grupo
As crianças de 0 a 14 anos somam 23.831 pessoas (26,0%). Mesmo quando a base infantil começa a retrair, o volume ainda exige agenda forte de puericultura, vacinação, vigilância nutricional, saúde bucal infantil e busca ativa de famílias em maior vulnerabilidade.
Os adolescentes de 15 a 19 anos representam 8.642 pessoas (9,4%). O grupo precisa aparecer no PMS com ações de saúde sexual e reprodutiva, saúde mental, prevenção de violências e acidentes, além de articulação permanente com educação e assistência social.
Os adultos de 20 a 59 anos são o eixo demográfico do município, com 51.524 pessoas (56,2%). Essa concentração exige uma APS capaz de manter acesso oportuno, acompanhamento longitudinal de condições crônicas, cuidado pré-natal e puerperal, saúde do trabalhador e ações de redução de riscos relacionados a álcool, violências e acidentes.
Os idosos somam 7.763 pessoas (8,5%). A pressão ainda pode parecer menor que a demanda adulta, mas é a que mais tende a crescer em complexidade: multimorbidade, uso contínuo de medicamentos, reabilitação, prevenção de quedas, cuidado domiciliar e integração com a proteção social.
Para o PMS 2026-2029, a síntese é organizar a rede para duas velocidades: manter resposta robusta às demandas de crianças, adolescentes e adultos no curto prazo, e antecipar capacidade para o envelhecimento no médio prazo. Essa leitura deve orientar metas de cobertura, agenda programática da APS, qualificação do cadastro e pactuação regional dos pontos de atenção que o município não consegue resolver sozinho.
6. Índice de dependência e razão de sexo
Índice de dependência
| Componente | Cálculo | Valor |
|---|---|---|
| Dependência juvenil (0-14) | 23.831 / 60.166 | 39,6% |
| Dependência senil (60+) | 7.763 / 60.166 | 12,9% |
| Dependência total | 31.594 / 60.166 | 52,5% |
Pela convenção etária do indicador, para cada 100 pessoas de 15 a 59 anos existem cerca de 53 pessoas fora dessa faixa (0-14 ou 60+). Em Moju, a leitura deve combinar a pressão da base infantil (39,6%) com o peso crescente do segmento 60+ (12,9%).
O índice de dependência é uma medida estrutural de composição etária. No Brasil, segue a metodologia do DATASUS/RIPSA — Indicador A.16 (Razão de Dependência), que adota explicitamente POPA0014 (0-14 anos) e POPA6099 (60 anos ou mais) como população dependente e POPA1559 (15-59 anos) como população em idade ativa — recorte alinhado à definição de pessoa idosa do Estatuto da Pessoa Idosa (Lei 10.741/2003, art. 1º). Não é um diagnóstico de dependência econômica ou funcional efetiva.
Em municípios rurais e de menor renda, parcela expressiva da população 60+ permanece economicamente ativa, sustentada por aposentadoria rural (Lei 8.213/1991, art. 39 e 143), BPC (Lei 8.742/1993, art. 20) e arranjos familiares em que o trabalho continuado de pessoas idosas é determinante para a subsistência.
Para o planejamento, este caderno usa o índice como sinalizador de tendência demográfica — não como medida da carga efetiva sobre a economia familiar ou sobre o sistema de saúde. A demanda real por serviços da pessoa idosa exige análise complementar sobre capacidade funcional, multimorbidade, suporte familiar, moradia e renda.
Razão de sexo: 110,8 homens para cada 100 mulheres
A razão de sexo geral é de 110,8 homens para cada 100 mulheres. Não há inversão feminina clara nas faixas idosas agregadas, o que deve ser acompanhado em novas estimativas etárias. A leitura por faixa ajuda a orientar ações de saúde do homem, prevenção de causas externas, saúde sexual e reprodutiva e cuidado longitudinal da pessoa idosa.
| Faixa | Masculino | Feminino | Razão H/100M |
|---|---|---|---|
| 0-4 | 3.954 | 3.786 | 104,4 |
| 5-9 | 4.104 | 3.920 | 104,7 |
| 10-14 | 4.170 | 3.897 | 107,0 |
| 15-19 | 4.474 | 4.168 | 107,3 |
| 20-29 | 8.715 | 8.035 | 108,5 |
| 30-39 | 7.714 | 7.153 | 107,8 |
| 40-49 | 6.502 | 5.506 | 118,1 |
| 50-59 | 4.343 | 3.556 | 122,1 |
| 60-69 | 2.526 | 1.980 | 127,6 |
| 70-79 | 1.247 | 1.039 | 120,0 |
| 80+ | 486 | 485 | 100,2 |
7. Transição demográfica: sinais para o PMS 2026-2029
Composição etária de 2025
| Grupo | População | % do total |
|---|---|---|
| Crianças (0-14) | 23.831 | 26,0% |
| Adolescentes (15-19) | 8.642 | 9,4% |
| Adultos (20-59) | 51.524 | 56,2% |
| Idosos (60+) | 7.763 | 8,5% |
Base da pirâmide e topo idoso
| Recorte | População | % do total |
|---|---|---|
| 0-4 anos | 7.740 | 8,4% |
| 5-9 anos | 8.024 | 8,7% |
| 10-14 anos | 8.067 | 8,8% |
| 60-69 anos | 4.506 | 4,9% |
| 70-79 anos | 2.286 | 2,5% |
| 80+ anos | 971 | 1,1% |
A base infantil (0-14) soma 23.831 pessoas, enquanto o grupo 60+ soma 7.763 pessoas. Essa combinação exige preservar capacidade materno-infantil e, ao mesmo tempo, antecipar linhas de cuidado para idosos, sobretudo quando o cadastro, os fluxos vitais e a dispersão territorial pressionam a APS.
Componentes do balanço demográfico recente
Pelo SINASC local, foram registrados 4.566 nascidos vivos entre 2022 e 2025; pelo SIM local, foram registrados 1.335 óbitos, resultando em saldo natural de +3.231 no período. No último ano observado, os registros apontam 1.123 nascimentos, 338 óbitos e saldo de +785.
Como referência operacional para a APS, o e-SUS AB municipal registra 57.210 cadastros ativos sem óbito para uma população IBGE 2025 de 91.760 habitantes (62,3% da população oficial). Essa diferença deve ser tratada como pauta de higienização cadastral e pactuação entre população territorial e população operacional.
8. Implicações para o planejamento em saúde
8.1. Reorganização da atenção materno-infantil
A população de 0-14 anos ainda é numerosa em termos absolutos (23.831 pessoas). O PMS deve preservar puericultura, vacinação, vigilância nutricional, saúde bucal infantil e busca ativa, com qualificação do cuidado por criança acompanhada.
8.2. Atenção ao adolescente
A faixa 15-19 soma 8.642 pessoas. O planejamento deve prever saúde sexual e reprodutiva, prevenção de gravidez precoce, saúde mental, prevenção de violências e articulação com escolas e assistência social.
8.3. Expansão da atenção ao idoso
O grupo 60+ soma 7.763 pessoas (8,5%). A rede deve avançar em cuidado domiciliar, estratificação de risco, acompanhamento de hipertensão e diabetes, prevenção de quedas e integração com proteção social.
8.4. Enfrentamento das causas externas e saúde do homem
A razão de sexo e a distribuição por idade devem orientar ações de saúde do homem, prevenção de acidentes e violências, vigilância de causas externas e organização da urgência, especialmente nas faixas jovens e adultas.
8.5. Dimensionamento e adequação da APS
A trajetória de crescimento populacional não autoriza reduzir capacidade de cuidado. O PMS deve ajustar cobertura, agendas programáticas e denominadores usando IBGE como população oficial e e-SUS AB como base operacional de acompanhamento.
8.6. Vigilância em saúde e condições sensíveis à APS
A combinação de vulnerabilidade social, demanda infantil, DCNT em adultos e crescimento relativo dos idosos exige monitoramento de ICSAP, imunização, agravos crônicos, saúde mental e eventos evitáveis.
9. Problemas identificados
| # | Problema identificado | Evidência |
|---|---|---|
| P1 | Índice de dependência demográfica de 52,5% sinaliza pressão simultânea da base infantil e do envelhecimento sobre a rede | Cálculo etário 2025; seção 6 |
| P2 | Grupo 60+ soma 7.763 pessoas (8,5%), exigindo expansão progressiva de cuidado à pessoa idosa | Estrutura etária 2025 |
| P3 | Base infantil 0-14 soma 23.831 pessoas (26,0%), mantendo demanda relevante de puericultura, vacinação e vigilância nutricional | Grandes grupos etários 2025 |
| P4 | Trajetória populacional pós-Censo 2022-2025 em crescimento, com saldo de +3.544 habitantes (+4,0%) | Série IBGE 2022-2025 |
| P5 | Saldo natural positivo de 3.231 pessoas no quadriênio, que precisa ser lido junto com migração, revisão censitária e cadastro e-SUS | SINASC/SIM local 2022-2025 |
| P6 | Diferença entre população e-SUS AB ativa e população IBGE 2025 (62,3%) exige higienização cadastral e regra clara de denominadores | e-SUS AB local x IBGE 2025 |
Fonte dos dados demográficos: IBGE, Censo 2022 e estimativas populacionais consolidadas no Data Warehouse Akapu a partir das fontes oficiais do IBGE, consulta em abril de 2026. Dados complementares: SINASC, SIM e e-SUS AB local quando disponível.
Caderno de Saúde - PMS 2026-2029 | Município | Assessoramento Akapu Saúde
