Caderno de Saúde 02

Perfil Epidemiológico

Plano Municipal de Saúde 2026-2029

Moju


Lista de Tabelas

  1. Tabela 1 - Óbitos totais e por capítulo CID-10 selecionado, Moju, 2020-2025
  2. Tabela 2 - Principais causas de óbito hospitalar em Moju (triênio 2023-2025)
  3. Tabela 3 - Mortalidade prematura por DCNT (30-69 anos) e linha de base do PMS 2026-2029
  4. Tabela 4 - Mortalidade por causas externas, Moju, 2020-2025
  5. Tabela 5 - Partos de mães residentes por município de ocorrência, Moju, 2021-2025
  6. Tabela 6 - Principais estabelecimentos de ocorrência dos partos de mães residentes, Moju, 2020-2024
  7. Tabela 7 - Partos de mães residentes por tipo de gestão do estabelecimento, Moju, 2020-2024
  8. Tabela 8 - Nascidos vivos, baixo peso e cesáreas, Moju, 2020-2025
  9. Tabela 9 - Indicadores materno-infantis selecionados (SINASC local), 2020-2025
  10. Tabela 10 - AIH com UTI de residentes de Moju por município de atendimento (2025)
  11. Tabela 11 - AIH com UTI de mojuenses por grupo CID-10 (2025)
  12. Tabela 12 - Notificações compulsórias 2025, principais agravos
  13. Tabela 13 - Linhas de base e metas do PMS 2026-2029, indicadores epidemiológicos selecionados
  14. Tabela 14 - Problemas críticos priorizados para o DOMI

Lista de Gráficos

  1. Gráfico 1 - Óbitos totais por ano e por capítulo CID-10 (Moju, 2020-2025)
  2. Gráfico 2 - Distribuição percentual das causas de óbito em 2025
  3. Gráfico 3 - Nascidos vivos, cesáreas e parto vaginal (Moju, 2020-2025)
  4. Gráfico 4 - Pré-natal com 7+ consultas e mães adolescentes (Moju, 2020-2025)
  5. Gráfico 5 - AIH com UTI de mojuenses por município de atendimento (2025)
  6. Gráfico 6 - Sífilis em gestante e sífilis congênita (Moju, 2024-2025)

1. Apresentação

Este caderno integra a Análise de Situação de Saúde (ASIS) do Plano Municipal de Saúde 2026-2029 de Moju, atendendo ao art. 96 da Portaria de Consolidação GM/MS nº 1/2017. Apresenta o perfil epidemiológico e de morbimortalidade do município, com o objetivo de subsidiar a definição de prioridades, a pactuação de metas no DOMI e a articulação dos cadernos sequenciais (especialmente o Caderno 03, sobre rede assistencial, no qual o projeto do Hospital Geral de Moju é tratado em detalhe).

Moju é município de médio porte do Baixo Tocantins, com 91.760 habitantes em 2025 (IBGE), 4º maior da Região de Saúde Tocantins (a CIR Tocantins concentra 772 mil habitantes em 9 municípios). O território articula dois vetores logísticos distintos: a rodovia PA-150, que liga Belém à região sul do estado, e a malha hidroviária dos rios Moju, Acará e Tocantins, que sustenta a vida ribeirinha em vilas como Soledade, Boa Esperança, Olho d'Água e Castanhanduba. Esse padrão híbrido - rodoviário-ribeirinho - define o perfil de demanda em saúde: trauma de trânsito e violência letal pesam tanto quanto doenças negligenciadas de transmissão silvestre (Chagas, leishmanioses, malária esporádica), e a captação oportuna do pré-natal compete com a dispersão das comunidades.

Município: Moju (PA, IBGE 150470). Macrorregião: Macrorregião I do Pará. Região de Saúde: Tocantins (9 municípios). Porte: médio. População 2025: 91.760 habitantes. Mulheres em idade fértil (10-49): 28.759. Crianças menores de 1 ano: 1.533.

A análise privilegia dados das bases locais de SIM, SINASC e SINAN do município, mantidas no Data Warehouse Akapu pela Vigilância Epidemiológica de Moju, complementadas pelo SIH/SUS-PA federal (série 2020-2025 fechada) e por dados do CNES competência 02/2026. A janela temporal padrão é 2015-2025, mas para os indicadores específicos do município o detalhamento se concentra em 2020-2025, período coberto integralmente pelas bases locais.

Nota metodológica: Em municípios de médio porte, a análise privilegia tendências em vez de pontos isolados; flutuações anuais de poucos eventos podem produzir percentuais expressivos. Quando os indicadores municipais divergem do agregado da região de saúde, a leitura cruza o dado municipal com o perfil dos vizinhos do Baixo Tocantins (Abaetetuba, Cametá, Barcarena, Igarapé-Miri, Tailândia) para evitar conclusões precipitadas.

Sumário

  1. Sumário gerado automaticamente a partir das seções do caderno.

Resumo Executivo

Moju entra no PMS 2026-2029 com um perfil epidemiológico de transição: convivem pressões clássicas de doenças cardiovasculares e neoplasias em alta (276 e 135 óbitos respectivamente no quadriênio 2022-2025) com uma carga regional de doenças tropicais negligenciadas e agravos materno-infantis que exigiriam, hoje, uma rede hospitalar local que ainda não está em pleno funcionamento. O Hospital e Maternidade Divino Espírito Santo concentra a internação clínica e obstétrica, sem qualquer leito crítico cadastrado; o Hospital Geral de Moju está em obra e introduzirá UTI Adulto e UCI Neonatal a partir do quadriênio. Esse caderno mapeia o que precisa ser enfrentado pela vigilância e pela atenção primária para que a chegada do HGM encontre uma rede preparada.

Os destaques do quadriênio 2022-2025 desenham três frentes interligadas. Materno-infantil: em 2025 foram 1.118 nascidos vivos, dos quais 50,7% por cesárea (primeiro ano em que cesárea supera parto vaginal em Moju) e 80 com baixo peso; o pré-natal 7+ consultas saltou de 39,2% (2024) para 54,9% (2025) na base local, mas ainda fica aquém da meta MS de 60% do PMS atual e bem distante do parâmetro Rede Alyne; mães adolescentes responderam por 21,3% dos nascimentos. Mortalidade evitável: óbitos por neoplasias praticamente dobraram (20 em 2022 para 41 em 2025), os por aparelho circulatório seguem em alta (61 para 76) e os por causas externas mantiveram patamar elevado (55 a 67/ano), com 33 AIH UTI de causa externa em 2025 todas em Belém ou Barcarena. Vigilância: as notificações do quadriênio 2022-2025 expõem o perfil amazônico-ribeirinho com 195 casos de doença de Chagas aguda (54 em 2025), 159 de sífilis em gestante (62 em 2025) e 12 de sífilis congênita em 2025, 102 de tuberculose, 22 de leishmaniose visceral e 19 de leishmaniose tegumentar.

Para o sistema de saúde, o sinal a reter é que a chegada do HGM mudará o teto de complexidade local, mas a redução de mortalidade evitável dependerá primeiro da qualificação do pré-natal, do enfrentamento da sífilis em gestante, do rastreio do câncer feminino, da estruturação da linha de cuidado de DCNT e da articulação intersetorial contra a violência. Essas são as bases sobre as quais o HGM operará; sem elas, novos leitos críticos servirão apenas para receber pacientes em estado já irreversível.

Para o quadriênio, sete frentes são prioritárias ao PMS:

  • Estruturar a linha de cuidado materno-infantil sob a Rede Alyne (Portaria GM/MS nº 5.350/2024) integrando UBS/ESF, AGPAR, CPN, Divino Espírito Santo e o futuro HGM, com meta progressiva de pré-natal 7+ consultas alinhada à linha-base do PMS (43,85% em 2025) e meta 2029 de 53,2%, ampliada para 75% no horizonte da Rede Alyne.
  • Reduzir a sífilis em gestante e a sífilis congênita (linha-base 8 casos novos em 2025) com testagem rápida no 1º trimestre, tratamento oportuno do casal e rastreio sistemático de IST nas UBS.
  • Consolidar a vigilância das doenças tropicais negligenciadas relevantes para o Baixo Tocantins (Chagas aguda por transmissão alimentar, leishmaniose visceral e tegumentar, hanseníase e malária), com apoio diagnóstico parasitológico, articulação com a SESPA e o Instituto Evandro Chagas, e estoque permanente de soros antiofídico e antirrábico.
  • Construir um plano municipal de prevenção da violência interpessoal e do trauma rodoviário (PA-150), articulado com segurança pública, mobilidade e Rede de Atenção Psicossocial; cobertura SAMU 192 deve sair de 0% (linha-base 2025) para 100% até 2029.
  • Implantar a estratificação de risco cardiovascular e o monitoramento de hipertensão e diabetes em 100% das equipes de Saúde da Família, com meta progressiva de redução do número absoluto de óbitos prematuros por DCNT (linha-base 79 em 2025, meta 2029 de 25 conforme PMS aprovado).
  • Recompor a cobertura vacinal das quatro vacinas-traçadoras do PNI (linha-base 0 vacinas com cobertura preconizada em 2025; meta 2029 de 100% das quatro com cobertura adequada) e ampliar o rastreio de câncer feminino (citologia 0,25 → 0,40 e mamografia 0,06 → 0,20).
  • Qualificar o registro do óbito (linha-base 94,9% em 2025; meta 90% no PMS) com investigação plena de óbitos infantis, fetais e de mulheres em idade fértil, condição para mensurar com fidelidade o ganho que o HGM trará a partir de 2027-2028.

2. Perfil de mortalidade (SIM local 2020-2025)

2.1. Óbitos totais e por capítulo CID-10

A base local SIM de Moju, operada pela Vigilância Epidemiológica municipal, registra 329 óbitos em 2025 entre residentes, total levemente superior aos 304 de 2022 e em padrão semelhante aos 332 de 2021. A leitura por capítulo CID-10 ao longo do quadriênio do PMS anterior expõe três tendências críticas: a duplicação dos óbitos por neoplasias (20 em 2022 para 41 em 2025), o crescimento contínuo da carga circulatória (61 para 76, +24%) e a permanência das causas externas como uma das principais frentes (55 a 67 óbitos/ano).

Tabela 1 - Óbitos totais e por capítulo CID-10 selecionado, Moju, 2020-2025
AnoTotalCirculatório (IX)Respiratório (X)Neoplasias (II)Causas externas (XX)Perinatais (XVI)
20203853839195927
20213325324285927
20223046133206722
20233216434415127
20243157536335531
20253297649415527

Fonte: SIM, base local municipal. Filtro por município de residência.

Saldo do quadriênio 2022-2025: aparelho circulatório lidera com 276 óbitos, seguido por causas externas (228), aparelho respiratório (152), neoplasias (135) e afecções perinatais (105). A leitura por capítulo confirma o estágio avançado da transição epidemiológica: doenças crônicas e mortes evitáveis por causas externas dividem espaço com perdas perinatais que ainda alcançam mais de uma centena de famílias no quadriênio.

2.1.1. Detalhamento por CID-10 das principais causas de óbito

O detalhamento abaixo desce do capítulo CID-10 para o CID de 3 caracteres, usando óbitos de residentes registrados no SIM, base local municipal, no período 2022-2025. Em municípios de pequeno porte, CIDs com poucos óbitos devem ser lidos como sinal de prioridade e não como taxa estável.

AnoTotal de óbitosMal definidas (R00-R99)% mal definidas
2022304196,3%
2023321288,7%
2024315165,1%
2025329247,3%
Qualidade da causa básica: no quadriênio, 87 de 1269 óbitos ficaram em R00-R99 (6,9%). A meta nacional de referência é manter mal definidas abaixo de 5%; quando o percentual municipal fica acima disso, a primeira intervenção do PMS deve ser qualificar a Declaração de Óbito e a investigação de mortalidade.
Capítulo prioritárioCID-10DescriçãoÓbitos% do capítulo% do total
IX. Aparelho circulatorioI64Acidente vascular cerebral nao especificado8229,7%6,5%
IX. Aparelho circulatorioI21Infarto agudo do miocardio6824,6%5,4%
IX. Aparelho circulatorioI50Insuficiencia cardiaca196,9%1,5%
IX. Aparelho circulatorioI10Hipertensao essencial primaria186,5%1,4%
IX. Aparelho circulatorioI25Doenca isquemica cronica do coracao165,8%1,3%
XX. Causas externasX95Agressao por disparo de outra arma de fogo ou nao especificada7834,2%6,1%
XX. Causas externasV89Acidente com veiculo a motor ou nao motorizado, tipo nao especificado3314,5%2,6%
XX. Causas externasX93Agressao por disparo de arma de fogo de mao187,9%1,4%
XX. Causas externasX99Agressao por objeto cortante ou penetrante146,1%1,1%
XX. Causas externasX70Lesao autoprovocada intencionalmente por enforcamento/estrangulamento/sufocacao114,8%0,9%
X. Aparelho respiratorioJ18Pneumonia por microorganismo nao especificado5938,8%4,6%
X. Aparelho respiratorioJ15Pneumonia bacteriana nao classificada em outra parte2919,1%2,3%
X. Aparelho respiratorioJ96Insuficiencia respiratoria2214,5%1,7%
X. Aparelho respiratorioJ44Outras doencas pulmonares obstrutivas cronicas138,6%1,0%
X. Aparelho respiratorioJ81Edema pulmonar63,9%0,5%
II. NeoplasiasC16Neoplasia maligna do estomago1913,9%1,5%
II. NeoplasiasC34Neoplasia maligna dos bronquios e pulmoes118,0%0,9%
II. NeoplasiasC50Neoplasia maligna da mama107,3%0,8%
II. NeoplasiasC71Neoplasia maligna do encefalo85,8%0,6%
II. NeoplasiasC61Neoplasia maligna da prostata75,1%0,6%
XVI. Afeccoes perinataisP20Hipoxia intrauterina3330,8%2,6%
XVI. Afeccoes perinataisP02Feto/recem-nascido afetado por complicacoes da placenta/cordao/membranas2523,4%2,0%
XVI. Afeccoes perinataisP95Morte fetal de causa nao especificada1211,2%0,9%
XVI. Afeccoes perinataisP07Transtornos relacionados com gestacao curta e baixo peso76,5%0,6%
XVI. Afeccoes perinataisP00Feto/recem-nascido afetado por afeccoes maternas65,6%0,5%

Em Moju, a abertura por CID reforca o carater tempo-dependente da mortalidade: AVC, IAM, pneumonia, insuficiencia respiratoria, hipoxia intrauterina e causas externas violentas dependem de estabilizacao rapida, transporte e retaguarda hospitalar. O resultado sustenta a prioridade do HGM, mas tambem mostra que APS, Rede Alyne, regulacao e prevenção de violencia devem atuar antes da urgencia.

2.2. Causas de óbito hospitalar e dependência tempo-crítica

Quando a análise se restringe aos óbitos hospitalares (205 em 2025, contra 220 em 2020), a maioria das causas é tempo-dependente. Em 2025, as 12 maiores causas hospitalares incluem pneumonia (J189: 18 óbitos), AVC (I64: 16), IAM (I219: 10), hipóxia intrauterina (P209: 8), sofrimento fetal (P022: 6) e acidentes de trânsito (V899: 5). No triênio 2023-2025, as 15 maiores causas são todas UTI-dependentes, distribuídas entre AVC (38), pneumonia (36+17), perinatais (37 entre P209 e P022), IAM (17), sepse (14), neoplasias (gástrica 11, pulmão 9), insuficiência respiratória aguda (11), diabetes complicada (9) e cardiopatia hipertensiva (6).

Tabela 2 - Principais causas de óbito hospitalar em Moju (triênio 2023-2025)
CID-10DescriçãoÓbitos no triênio
I64AVC não especificado38
J189Pneumonia não especificada36
P209Hipóxia intrauterina21
J159Pneumonia bacteriana17
I219Infarto agudo do miocárdio17
P022Sofrimento fetal16
A419Sepse não especificada14
C169Neoplasia gástrica11
J960Insuficiência respiratória aguda11
E149Diabetes mellitus com complicações9
I10Hipertensão essencial9
C349Neoplasia maligna do pulmão9

Fonte: SIM, base local municipal. Triênio 2023-2025.

ALERTA: 100% das 15 principais causas de óbito hospitalar do triênio são tempo-dependentes e demandam estabilização e suporte intensivo. Hoje todas as transferências críticas saem de Moju para Belém (115 km, PA-252/PA-150), Barcarena (66 km) ou Ananindeua. O tempo-resposta é fator independente de mortalidade nessas condições - o que justifica o investimento em sala de estabilização e UTI Adulto Tipo II no HGM já desde 2026, prioridade tratada em detalhe no Caderno 03.

2.3. Mortalidade prematura por DCNT (30-69 anos)

O PMS 2026-2029 fixou o número absoluto de óbitos prematuros por DCNT (30-69 anos pelo conjunto de aparelho circulatório, neoplasias, diabetes e respiratórias crônicas) como meta-chave. A linha-base municipal é 79 óbitos em 2025; a meta para 2029 é 25 óbitos, pactuada de forma decrescente ao longo do quadriênio.

Tabela 3 - Mortalidade prematura por DCNT (30-69 anos) e linha de base do PMS 2026-2029
IndicadorLinha-base (2025)Meta 2026Meta 2027Meta 2028Meta 2029
Nº absoluto de óbitos prematuros (30-69) por DCNT7955453525

A faixa 30-69 de Moju em 2025 reúne aproximadamente 39.280 pessoas (somando 30-39, 40-49, 50-59 e 60-69 conforme Caderno 01). A meta de redução para 25 óbitos absolutos em 2029 é ambiciosa (-68% em 4 anos) e exige vigilância de DCNT na APS com prontuário eletrônico operante e estratificação de risco por equipe, monitoramento de hipertensão e diabetes via e-SUS AB, ações de promoção de alimentação saudável e atividade física e detecção precoce dos cânceres mais incidentes (mama, colo do útero, próstata, pulmão e estômago, conforme perfil hospitalar do triênio).

2.4. Mortalidade por causas externas

As causas externas (capítulo XX da CID-10) respondem por 18% dos óbitos do quadriênio em Moju (228 em 4 anos), proporção elevada e típica da rota PA-150. A análise da SIM local consolidada do projeto HGM mostra perfil dominado por trauma de trânsito (motociclistas, atropelamentos), agressões com arma de fogo e arma branca em zonas peri-urbanas, e quedas e afogamentos em áreas ribeirinhas.

Tabela 4 - Mortalidade por causas externas, Moju, 2020-2025
AnoÓbitos por causas externas% do total de óbitos
20205915,3%
20215917,8%
20226722,0%
20235115,9%
20245517,5%
20255516,7%
ALERTA: O PMS 2026-2029 trouxe a meta "Proporção de acesso hospitalar dos óbitos por acidente" com linha-base de 30,4% (2024) e meta de 44,5% até 2029. Hoje, sete em cada dez óbitos por causas externas em Moju acontecem fora de estabelecimento de saúde - na via, no domicílio, durante a transferência. A combinação de SAMU implantado (cobertura 0% atual, meta 100%), sala de estabilização e UTI Adulto no HGM tem efeito direto sobre essa proporção.

2.5. Mortalidade infantil, materna e investigação

O PMS 2026-2029 traz a meta "Número absoluto de óbitos de crianças" com linha-base de 11 óbitos infantis em 2025 e meta de redução para 7 em 2029. Sobre mortalidade materna, a linha-base é 1 óbito materno em 2025 e a meta é manter em 1 ao longo do quadriênio, com investigação obrigatória (100%) de todos os óbitos maternos e dos óbitos em mulheres em idade fértil. A base local SIM apresenta zero óbitos infantis em todos os anos do quadriênio, o que diverge do PMS e indica necessidade de cruzamento crítico entre o SIM local, o SIM federal e os relatórios do Comitê Municipal de Investigação de Óbitos antes da pactuação final.

Decisão editorial: manter a linha-base do PMS (11 óbitos infantis em 2025) e registrar a divergência com o SIM local DW como lacuna a investigar pela VE municipal antes do envio do RAG 2026. A subnotificação aparente é a hipótese mais provável, dado o volume de óbitos perinatais (105 no quadriênio) e o histórico de óbitos hospitalares por hipóxia intrauterina (P209) e sofrimento fetal (P022) capturados pelo SIM local.

3. Saúde materno-infantil (SINASC local 2020-2025)

3.1. Onde acontecem os partos das mães residentes

Moju tem maternidade municipal ativa, mas o padrão de ocorrência dos partos mostra uma rede efetivamente regionalizada. Na série local 2021-2025, foram 5.841 nascidos vivos de mães residentes no município: 1.849 partos (31,7%) ocorreram em Moju, 1.723 (29,5%) em Abaetetuba, 738 (12,6%) em Barcarena, 723 (12,4%) em Tailândia e 449 (7,7%) em Belém. A leitura é direta: quase sete em cada dez partos de mojuenses ocorrem fora do município, concentrados no Baixo Tocantins e em serviços estaduais de referência.

Tabela 5 - Partos de mães residentes por município de ocorrência, Moju, 2021-2025
Município de ocorrênciaUFRegião de Saúde / CIRPartos% do totalMediana anual
MojuPATocantins1.84931,7%401
AbaetetubaPATocantins1.72329,5%276
BarcarenaPATocantins73812,6%153
TailândiaPALago de Tucuruí72312,4%153
BelémPAMetropolitana I4497,7%87
Igarapé-MiriPATocantins1362,3%27
MocajubaPATocantins731,2%11
AnanindeuaPAMetropolitana I601,0%14
Demais municípiosPA/CEDiversas901,5%-

O recorte por estabelecimento reforça a dependência de serviços estaduais. No período 2020-2024, o Hospital e Maternidade Divino Espírito Santo, em Moju, respondeu por 1.917 partos (31,6%), mas a maior parte restante foi absorvida por unidades estaduais: Hospital Regional do Baixo Tocantins/Hospital Santa Rosa, em Abaetetuba; Hospital Geral de Tailândia; Hospital Regional Público Materno Infantil de Barcarena; e Santa Casa de Misericórdia do Pará, em Belém. Esse padrão deve orientar a Rede Alyne municipal: o pré-natal é local, mas o parto de risco habitual e, sobretudo, o risco intermediário/alto risco dependem de pactuação regional explícita.

Tabela 6 - Principais estabelecimentos de ocorrência dos partos de mães residentes, Moju, 2020-2024
CNESEstabelecimentoMunicípioTipo de gestãoPartos% do total
2697289Hospital e Maternidade Divino Espírito SantoMojuMunicipal1.91731,6%
0073482Hospital Regional do Baixo Tocantins / Hospital Santa RosaAbaetetubaEstadual1.48824,6%
6779069Hospital Geral de TailândiaTailândiaEstadual77012,7%
9461493Hospital Regional Público Materno Infantil de BarcarenaBarcarenaEstadual64410,6%
2752700Santa Casa de Misericórdia do ParáBelémEstadual2764,6%
-Sem CNES informado, parto não institucional ou registro incompletoNão informadoSem informação1091,8%
2677431Hospital Municipal Maria do Carmo GomesMocajubaMunicipal1001,7%
-Demais estabelecimentosDiversosDiversa/sem informação75312,4%
Tabela 7 - Partos de mães residentes por tipo de gestão do estabelecimento, Moju, 2020-2024
Tipo de gestãoPartos% do total
Estadual3.26453,9%
Municipal2.64843,7%
Sem informação, parto não institucional ou registro incompleto1091,8%
Dupla360,6%
Implicação para o PMS: a implantação do HGM e da retaguarda neonatal pode ampliar a capacidade local, mas não elimina a necessidade de pactuação com Abaetetuba, Barcarena, Tailândia e Belém. A gestão municipal deve tratar o fluxo obstétrico como linha de cuidado regional: captação precoce na APS, classificação de risco, ambulatório AGPAR, transporte sanitário e comunicação formal com as maternidades de referência.

3.2. Nascidos vivos, baixo peso e cesáreas

O SINASC local registra entre 1.096 e 1.297 nascidos vivos por ano em Moju desde 2020, com média anual de 1.179 NV. O município é o 4º maior produtor de nascimentos da CIR Tocantins, atrás apenas de Abaetetuba, Cametá e Barcarena. A taxa bruta de natalidade está em torno de 12,2 nascimentos por mil habitantes, ligeiramente abaixo da média estadual.

Tabela 8 - Nascidos vivos, baixo peso e cesáreas, Moju, 2020-2025
AnoNascidos vivosBaixo peso (<2.500g)Muito baixo peso (<1.500g)Cesáreas% cesárea
20201.2331062151141,4%
20211.2971061647236,4%
20221.16390745238,9%
20231.16788653846,1%
20241.096901153148,4%
20251.11880956750,7%

Fonte: SINASC, base local municipal.

ALERTA: 2025 é o primeiro ano da série em que cesárea supera parto vaginal em Moju (50,7%). Em 2020, eram 41,4%; um avanço de quase 10 pontos em cinco anos. A meta MS para o conjunto SUS+suplementar é elevar o parto normal: o PMS 2026-2029 fixou linha-base 49,37% e meta 60% até 2029. A inversão da curva exige enfrentamento ativo da indicação cesariana sem critério clínico, qualificação obstétrica das equipes e viabilização do CPN como porta de entrada do parto de risco habitual.

3.3. Pré-natal, gravidez na adolescência e ciclo de risco

Tabela 9 - Indicadores materno-infantis selecionados (SINASC local), 2020-2025
Indicador2022202320242025Meta PMS 2029
% NV com 7+ consultas de pré-natal37,7%40,8%45,6%54,9%53,2%
% NV de mães 10-19 anos24,8%22,9%22,4%21,3%13,9%
% parto normal61,1%53,9%51,6%49,3%60,0%
% baixo peso ao nascer (<2.500g)7,7%7,5%8,2%7,2%≤8,0%

O pré-natal 7+ consultas é o achado mais positivo do quadriênio: saiu de 37,7% (2022) para 54,9% (2025), evolução de quase 18 pontos. A linha-base oficial do PMS 2026-2029 (43,85% em 2025) é mais conservadora porque combina dados SINASC federal e local; a base local DW captura mais consultas, indicando subtransmissão do dado da DNV ao nível federal - situação semelhante à observada em São João da Ponta na CIR Metropolitana III. A meta 53,2% para 2029 é factível, mas o município precisa ir além, mirando os 75% do parâmetro Rede Alyne, especialmente para gestantes ribeirinhas.

Gravidez na adolescência: 21,3% dos nascimentos em 2025 ocorreram em mães com 10 a 19 anos. A média nacional é cerca de 14%, e a meta do PMS 2026-2029 é reduzir para 13,9% até 2029. A queda observada (24,8% em 2022 → 21,3% em 2025) é favorável, mas insuficiente. A estratégia precisa articular saúde, educação (PSE), assistência social (CRAS/CREAS) e oferta de planejamento reprodutivo, com atenção especial às vilas ribeirinhas e às áreas periféricas da sede.

Sobre baixo peso ao nascer (<2.500g), o município mantém percentuais em torno de 7-8%, dentro do parâmetro OMS de 10%. A alerta é para muito baixo peso (<1.500g): 9 RN em 2025, candidatos imediatos a UCI ou UTI Neonatal, hoje todos transferidos para Barcarena (Hospital Regional Materno-Infantil) ou Belém. A retaguarda neonatal local é o elo mais frágil da Rede Alyne em construção e justifica a UCI Neonatal de 6 leitos prevista no projeto HGM (cenário B do projeto, ver Caderno 03).

3.4. Sífilis em gestante e sífilis congênita

A vigilância materno-infantil de Moju enfrenta uma das piores cargas de sífilis em gestante do Pará. As notificações SINAN locais somam 159 casos de sífilis em gestante (CID O98.1) no quadriênio 2022-2025, com 132 casos de sífilis (A53.9) confirmados na vigilância local. Em 2025, foram 62 casos de sífilis em gestante e 12 casos de sífilis congênita registrados, segundo a base local SINAN consolidada para o projeto HGM. O PMS 2026-2029 trouxe linha-base de 8 casos novos de sífilis congênita em 2025 e meta de 1 caso em 2029.

ALERTA CRÍTICO: 62 casos de sífilis em gestante em 2025 representam aproximadamente 5,5% das gestantes do município. A sífilis congênita é evento sentinela de falha do pré-natal: cada caso é o resultado de uma testagem ausente ou tardia, ou de tratamento incompleto do casal. A meta 2029 (1 caso) só é factível com testagem rápida em todas as unidades da APS no 1º trimestre, tratamento ministrado em até 7 dias da confirmação, abordagem do parceiro e busca ativa de gestantes faltosas pela equipe de saúde da família e ACS.

4. Morbidade hospitalar e fluxo regional (SIH 2020-2025)

4.1. Internações e capítulos predominantes

Os residentes de Moju geraram aproximadamente 26.158 internações SIH/SUS no período 2020-2025 (acumulado), com 4.561 AIH em 2025. A produção do Hospital e Maternidade Divino Espírito Santo (CNES 2697289) responde pela maior parte das internações de média complexidade dentro do município (52 leitos: 20 clínica geral, 12 obstetrícia cirúrgica, 11 pediatria, 7 cirurgia geral, 2 isolamento), enquanto trauma grave, cirurgia eletiva de maior porte e qualquer internação que demande UTI são integralmente referenciadas para fora.

A composição por capítulos CID-10, com base no triênio 2022-2024 do projeto HGM, segue padrão amazônico-ribeirinho: obstetrícia (3.531 AIH), causas externas (2.083), digestivas (1.245), respiratórias (1.204), geniturinárias (1.105), infecciosas (811), circulatórias (557), perinatais (532) e neoplasias (215). Em três anos, foram 13.390 internações no município (4.463/ano). Esse perfil reforça a centralidade da maternidade do Divino e do trauma como linhas-foco da APS e da rede hospitalar.

4.2. Fluxo de AIH com UTI: 100% fora do município

Tabela 10 - AIH com UTI de residentes de Moju por município de atendimento (2025)
Município de atendimentoAIH UTIDiárias UTIValor faturado%
Belém123670R$ 433.584,0060,9%
Barcarena36250R$ 156.360,0017,8%
Ananindeua27193R$ 116.200,0013,4%
Abaetetuba9126R$ 75.600,004,5%
Marituba677R$ 46.200,003,0%
Marabá13R$ 1.800,000,5%
Total residentes Moju2021.319R$ 829.744,00100%

Fonte: SIH/SUS federal e consolidação do projeto HGM. 100% das AIH UTI dos mojuenses em 2025 foram executadas fora do município, com 60,9% concentrados em Belém. A dependência de Belém subiu de 49% (2024) para 61% (2025), indicando redução relativa da oferta em Barcarena e concentração no polo estadual.

Tabela 11 - AIH com UTI de mojuenses por grupo CID-10 (2025)
Grupo CIDAIH UTIDiáriasÓbitosComentário
Trauma e lesões (S, T)321555Causa externa dominante; pico de motociclistas
Neoplasias (C, D0-D4)271024Demanda oncológica crítica em crescimento
Perinatais (P)241971RN prematuro/baixo peso; demanda UCI/UTI Neonatal
Respiratórias (J)181634Pneumonia, IRpA, DPOC
Gravidez/puerpério (O)18770UTI materna (pré-eclâmpsia, HELLP, sepse puerperal)
Circulatórias (I)292178AVC + IAM + insuficiência cardíaca
Infecciosas/sepse (A, B)141233Sepse e choque séptico
Geniturinárias (N)10913Insuficiência renal aguda, sepse urinária
Endócrinas (E)4371Diabetes complicada
Digestivas (K)3200Pancreatite, abdome agudo
Outras231372-
Total2021.3193321% obstétrico-perinatal; 16% trauma
Achado estrutural: 42 AIH UTI (21%) em 2025 são de causa obstétrica ou perinatal, e 32 (16%) de trauma - totalizando 37% concentrados em condições passíveis de retaguarda local. Esses são os volumes-alvo da UTI Adulto Tipo II e UCI Neonatal previstas no projeto HGM.

4.3. ICSAB e densidade da APS

O PMS 2026-2029 trouxe linha-base de 33,0% para a proporção de ICSAB sobre o total de internações (2023), valor próximo da média nacional (25-30%) e indicador de uma APS com cobertura ainda em expansão (linha-base 67,43%, meta 81,90% em 2029). A meta 2029 é 26,80%, redução de 6,2 pontos em 4 anos, factível com aumento de cobertura, qualificação do prontuário eletrônico e estratificação de risco para hipertensão, diabetes, asma, gastroenterites e infecções urinárias - as principais condições da lista brasileira de ICSAB.

A densidade APS estimada para Moju em 2025, com 91.760 habitantes e 27 unidades cadastradas no e-SUS PEC, fica abaixo do parâmetro de 2 a 3 consultas/hab/ano. A combinação de baixa densidade APS com 33% de ICSAB sugere que parte expressiva da internação evitável de mojuenses corre fora do território (o Divino acolhe a internação clínica básica, mas o restante segue para Abaetetuba e Belém). A inauguração do HGM ampliará o teto de complexidade local, mas só terá efeito reducionista sobre a ICSAB se a APS for simultaneamente fortalecida.

5. Vigilância epidemiológica e agravos notificados (SINAN 2025)

A base local SINAN de Moju, consolidada na Vigilância Epidemiológica municipal, totaliza 2.069 notificações no período de leitura. Em 2025, o perfil sumarizado pelo projeto HGM aponta os principais agravos descritos a seguir.

Tabela 12 - Notificações compulsórias 2025, principais agravos
Agravo / CIDNotificações 2025Comentário
Atendimento anti-rábico humano142Estoque permanente de soro antirrábico exigido
Acidente por animais peçonhentos75Cobras, escorpiões; soroterapia 24h
Sífilis em gestante (O98.1)62Falha de pré-natal e tratamento de parceiro
Doença de Chagas aguda (B57.1)54Transmissão alimentar por açaí; perfil ribeirinho
Violência interpessoal/autoprovocada (Y09)47Notificação compulsória SUS; ver seção 6
Sífilis não especificada (A53.9)46Adultos não-gestantes
Toxoplasmose35Investigação gestacional indicada
Tuberculose (A16.9)29Cura linha-base 56,6% (PMS); meta 100%
Leishmaniose visceral (B55.0)22Letalidade alta sem tratamento oportuno
Leishmaniose tegumentar americana (B55.1)19Exposição laboral, mata ciliar
Hanseníase18Cura 91% (2024); meta 100%; contatos 66,6%
Meningite18Investigação imediata DNCI
Sífilis congênita (A50)12Linha-base PMS 2025; meta 1 em 2029

Fonte: SINAN, base local municipal, e consolidação do projeto HGM.

5.1. Notificações SINAN de 2025 por sexo e faixa etária

Em 2025, o SINAN registrou 656 notificações de residentes no município. Os maiores volumes foram Atendimento anti-rábico humano (142), Acidente por animais peçonhentos (75), Sífilis em gestante (62), o que orienta a vigilância para exposições ambientais, eventos ocupacionais, agravos transmissíveis e linhas de cuidado que precisam aparecer no PMS 2026-2029.

Quadro-síntese - Notificações SINAN 2025 por agravo, sexo e idade
AgravoTotal 2025MasculinoFemininoIgnoradoMediana de idadeFaixa predominante
Atendimento anti-rábico humano1429448027,540-49 anos
Acidente por animais peçonhentos75631203940-49 anos
Sífilis em gestante6206202220-29 anos
Doença de Chagas aguda542329230,550-59 anos
Violencia interpessoal/autoprovocada47123502110-14 anos
Sífilis não especificada46291702520-29 anos
Toxoplasmose35221303230-39 anos
Tuberculose29181103420-29 anos
Leishmaniose visceral22139025,51-4 anos
Leishmaniose tegumentar americana1915403115-19 anos
Hanseníase189903820-29 anos
Meningite1861201830-39 anos
Doença por citomegalovírus1710703530-39 anos
Intoxicação exógena1688018,51-4 anos
Sífilis congênita129300< 1 ano
Doenças por protozoários na gravidez, parto e puerpério90902720-29 anos
Acidente de trabalho grave65102220-29 anos
Gestante com HIV60602320-29 anos
Hepatites virais5050630-39 anos
Aids440032,530-39 anos
Doença aguda pelo vírus Zika32102810-14 anos
Coqueluche20200< 1 ano
Esporotricose2020105-9 anos
Acidente de trabalho com exposição a material biológico10103330-39 anos
Câncer relacionado ao trabalho11002320-29 anos
Caxumba110011-4 anos
Doenças exantemáticas101085-9 anos
Febre amarela11001515-19 anos
Febre tifoide11001715-19 anos
Toxoplasmose congênita11000< 1 ano

A tabela detalhada abaixo abre os agravos com cinco ou mais notificações em 2025. Para preservar a leitura epidemiologica sem superexpor eventos raros, os agravos com menos de cinco registros sao tratados em prosa ao final da subseção.

Detalhamento - Agravos com 5 ou mais notificações por sexo e faixa etária
AgravoFaixa etáriaMasculinoFemininoIgnoradoTotal% do agravo
Atendimento anti-rábico humano< 1 ano21032,1%
Atendimento anti-rábico humano1-4 anos34074,9%
Atendimento anti-rábico humano5-9 anos13201510,6%
Atendimento anti-rábico humano10-14 anos16201812,7%
Atendimento anti-rábico humano15-19 anos9701611,3%
Atendimento anti-rábico humano20-29 anos11501611,3%
Atendimento anti-rábico humano30-39 anos7901611,3%
Atendimento anti-rábico humano40-49 anos13702014,1%
Atendimento anti-rábico humano50-59 anos10601611,3%
Atendimento anti-rábico humano60-69 anos32053,5%
Atendimento anti-rábico humano70+ anos730107,0%
Acidente por animais peçonhentos< 1 ano10011,3%
Acidente por animais peçonhentos1-4 anos01011,3%
Acidente por animais peçonhentos5-9 anos10011,3%
Acidente por animais peçonhentos10-14 anos40045,3%
Acidente por animais peçonhentos15-19 anos41056,7%
Acidente por animais peçonhentos20-29 anos11201317,3%
Acidente por animais peçonhentos30-39 anos13101418,7%
Acidente por animais peçonhentos40-49 anos16402026,7%
Acidente por animais peçonhentos50-59 anos43079,3%
Acidente por animais peçonhentos60-69 anos50056,7%
Acidente por animais peçonhentos70+ anos40045,3%
Sífilis em gestante10-14 anos01011,6%
Sífilis em gestante15-19 anos02102133,9%
Sífilis em gestante20-29 anos03103150,0%
Sífilis em gestante30-39 anos090914,5%
Doença de Chagas aguda1-4 anos41059,3%
Doença de Chagas aguda5-9 anos23059,3%
Doença de Chagas aguda10-14 anos240611,1%
Doença de Chagas aguda15-19 anos11023,7%
Doença de Chagas aguda20-29 anos330611,1%
Doença de Chagas aguda30-39 anos430713,0%
Doença de Chagas aguda40-49 anos150611,1%
Doença de Chagas aguda50-59 anos340713,0%
Doença de Chagas aguda60-69 anos330611,1%
Doença de Chagas aguda70+ anos02023,7%
Doença de Chagas agudaIgnorada00223,7%
Violencia interpessoal/autoprovocada5-9 anos11024,3%
Violencia interpessoal/autoprovocada10-14 anos01101123,4%
Violencia interpessoal/autoprovocada15-19 anos3701021,3%
Violencia interpessoal/autoprovocada20-29 anos360919,1%
Violencia interpessoal/autoprovocada30-39 anos270919,1%
Violencia interpessoal/autoprovocada40-49 anos21036,4%
Violencia interpessoal/autoprovocada50-59 anos10012,1%
Violencia interpessoal/autoprovocada60-69 anos02024,3%
Sífilis não especificada10-14 anos01012,2%
Sífilis não especificada15-19 anos260817,4%
Sífilis não especificada20-29 anos17602350,0%
Sífilis não especificada30-39 anos410510,9%
Sífilis não especificada40-49 anos21036,5%
Sífilis não especificada50-59 anos31048,7%
Sífilis não especificada70+ anos11024,3%
Toxoplasmose< 1 ano20025,7%
Toxoplasmose1-4 anos410514,3%
Toxoplasmose10-14 anos310411,4%
Toxoplasmose15-19 anos01012,9%
Toxoplasmose20-29 anos130411,4%
Toxoplasmose30-39 anos530822,9%
Toxoplasmose40-49 anos21038,6%
Toxoplasmose50-59 anos220411,4%
Toxoplasmose60-69 anos11025,7%
Toxoplasmose70+ anos20025,7%
Tuberculose5-9 anos01013,4%
Tuberculose15-19 anos01013,4%
Tuberculose20-29 anos6401034,5%
Tuberculose30-39 anos600620,7%
Tuberculose40-49 anos02026,9%
Tuberculose50-59 anos220413,8%
Tuberculose60-69 anos310413,8%
Tuberculose70+ anos10013,4%
Leishmaniose visceral< 1 ano10014,5%
Leishmaniose visceral1-4 anos330627,3%
Leishmaniose visceral10-14 anos120313,6%
Leishmaniose visceral20-29 anos10014,5%
Leishmaniose visceral30-39 anos300313,6%
Leishmaniose visceral40-49 anos10014,5%
Leishmaniose visceral50-59 anos210313,6%
Leishmaniose visceral60-69 anos11029,1%
Leishmaniose visceral70+ anos02029,1%
Leishmaniose tegumentar americana1-4 anos01015,3%
Leishmaniose tegumentar americana10-14 anos200210,5%
Leishmaniose tegumentar americana15-19 anos410526,3%
Leishmaniose tegumentar americana20-29 anos10015,3%
Leishmaniose tegumentar americana30-39 anos110210,5%
Leishmaniose tegumentar americana40-49 anos300315,8%
Leishmaniose tegumentar americana50-59 anos210315,8%
Leishmaniose tegumentar americana60-69 anos10015,3%
Leishmaniose tegumentar americana70+ anos10015,3%
Hanseníase5-9 anos01015,6%
Hanseníase10-14 anos01015,6%
Hanseníase20-29 anos220422,2%
Hanseníase30-39 anos220422,2%
Hanseníase40-49 anos210316,7%
Hanseníase50-59 anos110211,1%
Hanseníase60-69 anos01015,6%
Hanseníase70+ anos200211,1%
Meningite< 1 ano020211,1%
Meningite1-4 anos10015,6%
Meningite5-9 anos030316,7%
Meningite10-14 anos200211,1%
Meningite15-19 anos120316,7%
Meningite20-29 anos120316,7%
Meningite30-39 anos130422,2%
Doença por citomegalovírus1-4 anos110211,8%
Doença por citomegalovírus10-14 anos110211,8%
Doença por citomegalovírus20-29 anos120317,6%
Doença por citomegalovírus30-39 anos530847,1%
Doença por citomegalovírus70+ anos200211,8%
Intoxicação exógena< 1 ano01016,2%
Intoxicação exógena1-4 anos320531,2%
Intoxicação exógena15-19 anos210318,8%
Intoxicação exógena30-39 anos130425,0%
Intoxicação exógena40-49 anos110212,5%
Intoxicação exógena60-69 anos10016,2%
Sífilis congênita< 1 ano93012100,0%
Doenças por protozoários na gravidez, parto e puerpério15-19 anos010111,1%
Doenças por protozoários na gravidez, parto e puerpério20-29 anos050555,6%
Doenças por protozoários na gravidez, parto e puerpério30-39 anos030333,3%
Acidente de trabalho grave< 1 ano100116,7%
Acidente de trabalho grave20-29 anos210350,0%
Acidente de trabalho grave30-39 anos100116,7%
Acidente de trabalho grave50-59 anos100116,7%
Gestante com HIV20-29 anos0606100,0%
Hepatites virais< 1 ano010120,0%
Hepatites virais1-4 anos010120,0%
Hepatites virais5-9 anos010120,0%
Hepatites virais15-19 anos010120,0%
Hepatites virais30-39 anos010120,0%

A distribuição por sexo e idade confirma a sobreposição de três agendas: exposição ambiental e rural em homens adultos nos acidentes por animais peçonhentos e leishmaniose tegumentar; vulnerabilidade materno-infantil na sífilis em gestante e congênita; e violência com forte concentração em mulheres adolescentes e jovens, exigindo rede de notificação ativa, cuidado psicossocial e articulação com assistência social, educação e segurança pública.

Demais agravos com volume residual em 2025: Aids (4 casos); Doença aguda pelo vírus Zika (3 casos); Coqueluche (2 casos); Esporotricose (2 casos); Acidente de trabalho com exposição a material biológico (1 caso); Câncer relacionado ao trabalho (1 caso); Caxumba (1 caso); Doenças exantemáticas (1 caso); Febre amarela (1 caso); Febre tifoide (1 caso); Toxoplasmose congênita (1 caso). Esses registros não devem ser ignorados, mas seu baixo volume recomenda leitura caso a caso pela vigilância, sem inferir taxa estável por sexo ou faixa etária.

Fonte: SINAN, base local municipal, residentes no município, ano de notificação 2025. Consulta consolidada em abril/2026; dados sujeitos a revisão pela rotina de fechamento das bases oficiais.

Leitura crítica: a tuberculose (29 casos em 2025) merece destaque porque o PMS aprovado registra a proporção de cura em apenas 56,6% (2024) com meta de 100% até 2029. Esse salto exige tratamento diretamente observado, busca ativa de faltosos pela ESF e articulação com o programa estadual; a hanseníase, no mesmo movimento, parte de 91% de cura mas precisa elevar a proporção de contatos examinados de 66,6% para 100% - frente em que a APS ribeirinha enfrenta dificuldades logísticas reais.

As doenças tropicais negligenciadas (DTNs) que pesam sobre Moju - Chagas aguda, leishmaniose visceral, leishmaniose tegumentar e hanseníase - somam 113 notificações em 2025. Compõem o que se chama na Amazônia de perfil silencioso da floresta: doenças de baixa visibilidade midiática, com longa cadeia de transmissão, alta vulnerabilidade dos diagnósticos por falta de capacidade laboratorial municipal (a confirmação parasitológica, em geral, depende do Instituto Evandro Chagas em Ananindeua) e baixa cobertura terapêutica nas vilas. O laboratório municipal cadastrado (CNES 9474196) tem espaço para ampliar a oferta de exames diretos, articulado com a SESPA e a CIR Tocantins.

6. Saúde mental e violência interpessoal

A rede de saúde mental de Moju conta com o CAPS José Evangelista de Souza (CNES 6507891), tipo II, único equipamento especializado do município. O PMS 2026-2029 estabeleceu a meta de 100% das ações de matriciamento entre o CAPS e as equipes de Atenção Básica até 2026 (linha-base 0% em 2025), o que sinaliza prioridade para a expansão do cuidado em saúde mental no território, especialmente diante do volume de notificações de violência interpessoal e do peso das causas externas no perfil de mortalidade.

As 47 notificações de Y09 (violência interpessoal/autoprovocada) registradas em 2025 são, do ponto de vista da vigilância, apenas a ponta visível da subnotificação característica desses agravos. A meta do PMS de elevar de 4 para 12 o número de serviços com notificação contínua de violência ao final do quadriênio é estrutural: cada UBS precisa ser ponto de notificação para que o sistema enxergue a violência conjugal, contra crianças, contra idosos e a violência letal de rua que aparece nas causas externas.

Articulação intersetorial necessária: qualquer leitura de violência em Moju precisa cruzar saúde, segurança pública, assistência social (CRAS/CREAS), conselho tutelar, conselho do idoso e Justiça. O perfil da PA-150 - corredor logístico com fluxo de migrantes, garimpeiros e trabalhadores rurais - adiciona vulnerabilidades específicas (saúde mental do migrante, acidentes de trabalho rural, exploração sexual, uso problemático de álcool e outras drogas) que demandam ação coordenada com o estado e a União.

7. Doenças relevantes para o perfil ribeirinho-amazônico

7.1. Doença de Chagas aguda

Com 195 casos de Chagas aguda registrados na vigilância local no quadriênio (sendo 54 em 2025), Moju compõe um cluster regional típico de transmissão alimentar por açaí contaminado por Triatoma rubrofasciata e outras espécies de barbeiros. O município precisa de capacidade laboratorial parasitológica reforçada (gota espessa, esfregaço, xenodiagnóstico), articulação com a vigilância sanitária do açaí (boas práticas no manejo do fruto), educação alimentar comunitária e estoque de benznidazol para tratamento etiológico oportuno.

7.2. Leishmanioses

São 22 casos de leishmaniose visceral (calazar) e 19 de leishmaniose tegumentar americana notificados em 2025, configurando endemia ativa. A LV tem letalidade alta quando o diagnóstico é tardio; a LTA é doença mutilante que afeta agricultores, extrativistas e pescadores expostos a áreas de mata ciliar. O município depende do Instituto Evandro Chagas (Ananindeua) para a confirmação parasitológica de Leishmania spp. e segue o protocolo de tratamento ambulatorial com antimoniais pentavalentes (Glucantime) ou anfotericina B nas formas graves.

7.3. Hanseníase, tuberculose e malária

Hanseníase: 18 notificações em 2025; cura linha-base 91% e proporção de contatos examinados em 66,6% (2024). Tuberculose: 29 notificações, cura em apenas 56,6% (2024) e meta 100% até 2029, sustentada por 100% de testagem anti-HIV. Malária: a base local 2025 não registrou casos autóctones; o PMS mantém meta zero para casos autóctones, mas a vigilância precisa ser permanente diante das incursões em áreas de mineração, garimpo e expansão agrícola.

7.4. Animais peçonhentos, raiva e arboviroses

142 atendimentos anti-rábicos humanos e 75 acidentes por animais peçonhentos em 2025 marcam exposição rural típica do Baixo Tocantins. O município deve manter estoque permanente de soros antiofídico, antiescorpiônico e antirrábico, com horário 24h preferencialmente vinculado à futura porta de entrada hospitalar do HGM. Sobre arboviroses, o PMS 2026-2029 estabelece manutenção de zero óbitos por dengue e ampliação do número de ciclos com 80%+ de imóveis visitados de 0 (2024) para 4 ciclos por ano até 2026, com manutenção desse padrão até 2029 - frente operacional do Centro de Controle de Zoonoses e da vigilância vetorial.

8. Qualidade da informação e cobertura vacinal

8.1. Qualidade do registro de óbito

O PMS 2026-2029 fixou a proporção de óbitos com causa básica definida em linha-base 94,9% (2025) e meta 90% no quadriênio. O patamar atual é favorável, mas a meta de patamar (90%) é mais conservadora do que a linha-base, indicando reconhecimento de que parte do registro pode oscilar com a chegada de novos serviços (HGM). A obrigação ainda é qualificar a investigação dos óbitos mal definidos (R98/R99) e garantir 100% de investigação dos óbitos infantis e maternos, com participação ativa do Comitê Municipal de Investigação.

8.2. Cobertura vacinal

O PMS 2026-2029 tem como meta-vitrine a proporção de vacinas selecionadas do PNI com cobertura preconizada (Pentavalente 3ª dose, Pneumocócica 10-valente 2ª dose, Polio 3ª dose e Tríplice Viral 1ª dose) - linha-base 0% em 2025 (nenhuma das 4 atinge a meta) e meta 100% das 4 com cobertura preconizada em 2029. A trajetória pactuada (25% em 2026, 50% em 2027, 75% em 2028, 100% em 2029) é a mais agressiva do plano e exige busca ativa de faltosos pela ESF, microplanejamento por território, vacinação extramuros nas vilas ribeirinhas e qualificação do registro no e-SUS PNI.

Risco para o quadriênio: com a redução observada da população de 0 a 4 anos (7.995 em 2022 → 7.740 em 2025) e a dispersão geográfica das comunidades ribeirinhas, denominadores menores amplificam o impacto de cada criança não vacinada. A meta 100% só é alcançável com vacinação móvel programada, microplanejamento operacional baseado no e-SUS PEC e parceria com escolas e associações comunitárias.

8.3. Rastreio de câncer feminino

Citologia e mamografia partem de patamares baixos no PMS 2026-2029: linha-base 0,25 e 0,06 (2025), com metas 0,40 e 0,20 em 2029. O parâmetro nacional para citologia é 0,50-0,65 e para mamografia 0,30+. A meta municipal está aquém do parâmetro mas é factível diante do crescimento dos óbitos por neoplasias (135 no quadriênio 2022-2025) e do volume oncológico hospitalar (27 AIH UTI por neoplasia em 2025 entre mojuenses). A linha de cuidado oncológica precisa articular APS, policlínica municipal (Policlínica de Moju, CNES 2329808), CRM Centro de Referência da Mulher (CNES 2329689) e referências regionais (Hospital Ophir Loyola e Santa Casa do Pará em Belém).

9. Articulação com o projeto Hospital Geral de Moju (HGM)

Este caderno é peça de análise epidemiológica e não duplica o Caderno 03 (rede assistencial), onde o projeto do Hospital Geral de Moju é tratado em detalhe (cenários A, B e C; dimensionamento de UTI Adulto e UCI Neonatal; capacidade de média complexidade; pactuação CIR Tocantins). Aqui registra-se apenas como o perfil epidemiológico do município justifica e orienta a chegada do HGM.

9.1. Demandas epidemiológicas que o HGM responde

  • Mortalidade tempo-dependente: 100% das 15 maiores causas de óbito hospitalar do triênio 2023-2025 são UTI-dependentes. Sala de estabilização e UTI Adulto Tipo II reduzem letalidade de AVC, IAM, sepse, IRpA e politrauma.
  • Causas externas e PA-150: 228 óbitos por causas externas no quadriênio, com 32 AIH UTI por trauma em 2025 todas em Belém. Porta de entrada hospitalar 24h com sala vermelha, TC e agência transfusional encurta o tempo-resposta na rota PA-252/PA-150.
  • Materno-infantil e Rede Alyne: 42 AIH UTI obstétricas/perinatais em 2025, 9 RN de muito baixo peso e 12 casos de sífilis congênita. UCI Neonatal Tipo I com 6 leitos no HGM e ambulatório AGPAR sustentam a habilitação da Rede Alyne (Portaria GM/MS 5.350/2024) em rede com Divino + CPN + UBS/ESF.
  • Doenças negligenciadas e DTNs: 113 notificações de Chagas, leishmanioses e hanseníase em 2025. Laboratório do HGM com tomografia, raio-X 24h, ultrassom e laboratório completo amplia capacidade diagnóstica articulada com Instituto Evandro Chagas e SESPA.
  • Captação local de internações: hoje, 61% das AIH dos mojuenses ocorrem fora do município (sendo 100% das AIH UTI). A meta de captação local (de 39% para 55% das AIH residentes) é métrica de sucesso direta do quadriênio e dependente da articulação HGM-Divino-CPN.

9.2. Demandas epidemiológicas que o HGM NÃO resolve

Por outro lado, o caderno epidemiológico chama atenção para demandas que o HGM não atende sozinho e que sustentam metas do PMS 2026-2029:

  • Pré-natal 7+ consultas e sífilis em gestante: dependem da APS, da testagem rápida no 1º trimestre, da busca ativa pela ESF e do tratamento do parceiro. O HGM recebe a gestante de alto risco; é nas UBS e nas vilas que se ganha o pré-natal.
  • Cobertura vacinal: não se ganha com leito hospitalar. Demanda microplanejamento APS, vacinação extramuros e busca ativa por ACS.
  • Mortalidade prematura por DCNT (79 → 25 óbitos): exige estratificação de risco cardiovascular pela ESF, monitoramento de hipertensão e diabetes via e-SUS AB e linha de cuidado oncológica em rede regional. O HGM é retaguarda; a redução começa na APS.
  • Violência interpessoal e suicídio: demandam plano municipal intersetorial com segurança pública, assistência social e CAPS, com matriciamento entre CAPS e ESF (meta 100% no PMS).
  • Doenças tropicais negligenciadas: dependem de vigilância sanitária do açaí (Chagas), capacidade laboratorial parasitológica e tratamento etiológico oportuno - frentes que precisam ser estruturadas paralelamente à obra.
Síntese da articulação: o HGM é condição necessária mas não suficiente. O PMS 2026-2029 precisa garantir que, ao chegar o leito crítico em 2027-2028, ele encontre uma APS qualificada, uma vigilância epidemiológica fortalecida e uma rede de saúde mental e prevenção da violência operante. Caso contrário, novos leitos servirão para receber pacientes em estado já irreversível, sem reduzir a mortalidade evitável que esse caderno mapeia.

10. Problemas priorizados para o DOMI do PMS 2026-2029

Os problemas a seguir foram priorizados a partir das evidências consolidadas nas seções 2 a 9, com base em magnitude (volume absoluto), tendência (séries 2020-2025), evitabilidade e capacidade de resposta da rede. Eles alimentam o módulo DOMI do PMS e devem ser cruzados com os achados dos cadernos 03 (rede assistencial), 04 (gestão do trabalho), 06 (fluxos assistenciais) e 07 (determinantes sociais).

10.1. Problemas críticos

Tabela 14 - Problemas críticos priorizados para o DOMI
#ProblemaEvidênciaImpacto sanitário
E1Sífilis em gestante e sífilis congênita em patamar elevado62 casos de sífilis em gestante e 8 a 12 casos de sífilis congênita em 2025Mortalidade infantil evitável; sequelas neurológicas; falha de pré-natal
E2Cesárea supera parto vaginal pela primeira vez (50,7% em 2025)SINASC local; aumento de 9,3 pontos em cinco anosRiscos cirúrgicos evitáveis; pressão sobre o Divino e o futuro CPN
E3Mortalidade por neoplasias praticamente dobrou (20 → 41 óbitos)SIM local 2022-2025; 27 AIH UTI por câncer em 2025Diagnóstico tardio; ausência de linha de cuidado oncológica local
E4100% das 15 principais causas de óbito hospitalar são UTI-dependentesSIM local triênio 2023-2025; AVC, pneumonia, IAM, perinatais, sepseMortalidade tempo-dependente sem retaguarda local
E5100% das AIH UTI dos mojuenses em município externo (61% em Belém)SIH-PA 2025; 202 AIH UTI; R$ 829.744,00 em diárias UTIRisco de transporte; perda de oportunidade terapêutica
E6Mortalidade prematura por DCNT em alta (79 óbitos em 2025)PMS linha-base 2025; meta 25 em 2029Mortalidade evitável em adultos jovens e maduros
E7Cobertura vacinal das 4 vacinas-traçadoras em 0% em 2025PMS linha-base 2025; meta 100% em 2029Reemergência de doenças imunopreveníveis
E8Causas externas com 228 óbitos no quadriênio (16-22% do total)SIM local 2022-2025; 32 AIH UTI por trauma em 2025Letalidade do trauma rodoviário e da violência letal

10.2. Problemas importantes

#ProblemaEvidênciaImpacto
E9Pré-natal 7+ consultas ainda em 54,9% (meta Rede Alyne ≥75%)SINASC local 2025; PMS linha-base federal 43,85% e meta 53,2% em 2029Risco materno-infantil; inadequação Rede Alyne
E10Gravidez na adolescência em 21,3% dos NV (média nacional ~14%)SINASC local 2025; meta PMS 13,9% em 2029Ciclo de vulnerabilidade social; desfechos perinatais
E11Doenças tropicais negligenciadas com 113 notificações em 2025SINAN local; Chagas (54), LV (22), LTA (19), hanseníase (18)Endemia silenciosa; baixa capacidade diagnóstica
E12Tuberculose com cura em 56,6% (meta 100% em 2029)PMS linha-base 2024Transmissão sustentada; abandono de tratamento
E13Rastreio oncológico feminino abaixo do parâmetro nacionalCitologia 0,25 e mamografia 0,06 em 2025Diagnóstico tardio de câncer de colo e mama
E14Cobertura SAMU 192 inexistente (linha-base 0% em 2025)PMS meta 100% em 2029 (50% em 2026)Atraso na atenção pré-hospitalar; pior desfecho do trauma
E1547 notificações Y09 (violência interpessoal) com subnotificação esperadaSINAN local 2025; PMS meta de 4 para 12 unidades notificadorasInvisibilidade de agravos; ciclo de violência

10.3. Lacunas de informação

#LacunaFonte esperadaImpacto na análise
L1Divergência entre SIM local (0 óbitos infantis) e PMS (11 em 2025)SIM local DW + Comitê Municipal de Investigação de ÓbitosSubnotificação no DW local; risco de monitoramento inadequado
L2Pré-natal subreportado no DATASUS federal vs base localSINASC federal vs SINASC local DWIndicador oficial subestima desempenho do município
L3Causas externas desagregadas por tipo (trânsito, agressão, queda)SIM local com classificação detalhada V01-Y98Direcionamento de políticas de prevenção
L4Prevalência de hipertensão e diabetes na APSe-SUS AB localVigilância de DCNT incompleta
L5Mortalidade infantil/perinatal por componente (neonatal/pós-neonatal)SIM local + SINASC local cruzadosIdentificação dos pontos críticos da Rede Alyne local
L6Cobertura vacinal por imunobiológico (não somente o agregado das 4)SIPNI / e-SUS PNIDificuldade de microplanejamento territorial

Lista de Siglas e Abreviações

SiglaSignificado
ACSAgente Comunitário de Saúde
AIHAutorização de Internação Hospitalar
APSAtenção Primária à Saúde
ASISAnálise de Situação de Saúde
CAPSCentro de Atenção Psicossocial
CIBComissão Intergestores Bipartite
CIRComissão Intergestores Regional
CNESCadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde
DATASUSDepartamento de Informática do Sistema Único de Saúde
DGMPDigiSUS Gestor - Módulo Planejamento
DOMIDiretrizes, Objetivos, Metas e Indicadores
DWData Warehouse
eSFEquipe de Saúde da Família
eSBEquipe de Saúde Bucal
e-SUS ABEstratégia e-SUS Atenção Básica
IBGEInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística
MACMédia e Alta Complexidade
PASProgramação Anual de Saúde
PMSPlano Municipal de Saúde
RAGRelatório Anual de Gestão
RDQARelatório Detalhado do Quadrimestre Anterior
SIASistema de Informações Ambulatoriais
SIHSistema de Informações Hospitalares
SIMSistema de Informações sobre Mortalidade
SINANSistema de Informação de Agravos de Notificação
SINASCSistema de Informações sobre Nascidos Vivos
SIOPSSistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde
SISABSistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica
SMSSecretaria Municipal de Saúde
SUSSistema Único de Saúde
TFDTratamento Fora de Domicílio

Lista de Tabelas

  1. Lista gerada automaticamente a partir das tabelas do caderno.

Lista de Gráficos e Figuras

  1. Lista gerada automaticamente a partir dos gráficos e figuras do caderno.

Legislação Citada

  • Constituição Federal de 1988, art. 196 a 200 - Saúde como direito de todos e dever do Estado.
  • Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990 - Lei Orgânica da Saúde; dispõe sobre a organização do SUS.
  • Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990 - Participação da comunidade no SUS e transferências intergovernamentais de recursos.
  • Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012 - Dispõe sobre os valores mínimos a serem aplicados anualmente em ações e serviços públicos de saúde.
  • Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011 - Regulamenta a Lei nº 8.080/1990 quanto à organização do SUS, ao planejamento da saúde, à assistência à saúde e à articulação interfederativa.
  • Portaria de Consolidação GM/MS nº 1, de 28 de setembro de 2017 - Direitos e deveres dos usuários da saúde, organização e funcionamento do SUS; arts. 96 (instrumentos de gestão) e 102-106 (Parâmetros SUS).
  • Portaria de Consolidação GM/MS nº 2, de 28 de setembro de 2017 - Políticas Nacionais de Saúde do SUS; Anexo IX, Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa.
  • Portaria de Consolidação GM/MS nº 3, de 28 de setembro de 2017 - Redes do SUS; arts. 11-24 (CPN), art. 70 (parâmetros UTIN/UCINCo/UCINCa) e Título II (Rede Alyne, redação dada pela Portaria GM/MS nº 5.350/2024).
  • Portaria GM/MS nº 5.350, de 12 de setembro de 2024 - Institui a Rede Alyne, em substituição à Rede Cegonha.
  • Portaria GM/MS nº 3.493, de 17 de outubro de 2024 - Cofinanciamento federal do Piso APS (Saúde Brasil 360, sucedeu o Previne Brasil).
  • Portaria GM/MS nº 689, de 14 de junho de 2023 - Reformula a atenção domiciliar no SUS (Melhor em Casa).
  • Lei nº 12.845, de 1º de agosto de 2013 - Atendimento obrigatório e integral de pessoas em situação de violência sexual.
  • Resolução CFM nº 2.271/2020 - Critérios médicos UTI/UCI.
  • RDC ANVISA nº 7/2010, alterada pela RDC nº 26/2012 - Funcionamento de UTI.

Fontes de dados

  • Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) - base local de Moju operada pela Vigilância Epidemiológica municipal, série 2020-2025, consolidada no Data Warehouse Akapu. Período de extração: abril/2026.
  • Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) - base local de Moju, série 2020-2025, consolidada no Data Warehouse Akapu.
  • Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) - base local de Moju, consolidada no Data Warehouse Akapu. Período de leitura agregado e detalhamento 2025.
  • Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) - base federal Pará, consolidada no Data Warehouse Akapu, série 2020-2025 fechada (competência 12/2025).
  • Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) - base CSV federal consolidada no Data Warehouse Akapu, competência 02/2026, com cruzamento de leitos, equipes e produção.
  • Dados demográficos IBGE - fonte IBGE/SIDRA e Censo Demográfico 2022 consolidados no Data Warehouse Akapu, integrando estimativas anuais (SIDRA agregado 6579) e Censo 2022.
  • Plano Municipal de Saúde 2026-2029 de Moju - Versão em Análise no Conselho de Saúde, 28/03/2026, com diretrizes, objetivos, metas e indicadores.
  • Projeto Hospital Geral de Moju - análise técnica de planejamento hospitalar regional consolidada para o quadriênio 2026-2029.
  • Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB) - produção APS, série 2022-2025; e-SUS AB local.
  • InfoMS / SEIDIGI - coberturas vacinais 2024 a 2025.

Referências bibliográficas

  • BRASIL. Ministério da Saúde. Caderno 1 - Critérios e Parâmetros Assistenciais para o Planejamento e Programação de Ações e Serviços de Saúde no SUS. 1ª revisão. Brasília: MS, 2017.
  • BRASIL. Ministério da Saúde / SAPS / SAES. Guia para Elaboração dos Planos de Ação da Rede Alyne. Brasília, 2024.
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Planejamento no SUS. Brasília: MS / Fiocruz, 2016.
  • Ministério da Saúde / SVSA. Guia de Vigilância em Saúde. 5ª ed. Brasília: MS, 2022.
  • Ministério da Saúde / Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Prevenção da Transmissão Vertical do HIV, Sífilis e Hepatites Virais. Brasília: MS, 2022.
  • Organização Pan-Americana da Saúde. Doenças Tropicais Negligenciadas no Brasil: situação atual e perspectivas. Brasília: OPAS, 2022.

Glossário técnico

TermoDefinição operacional
DCNT (Doenças Crônicas Não Transmissíveis)Conjunto de quatro grandes grupos de doenças (cardiovasculares, neoplasias, diabetes mellitus, respiratórias crônicas) que respondem pela maior parte das mortes evitáveis no Brasil; monitoradas pela mortalidade prematura na faixa 30-69 anos.
Doença Tropical Negligenciada (DTN)Grupo de doenças endêmicas em populações empobrecidas e em territórios de baixa visibilidade política e econômica, com cadeia de transmissão complexa e baixo investimento em pesquisa e tratamento; em Moju incluem Chagas, leishmanioses e hanseníase.
ICSABInternações por Condições Sensíveis à Atenção Básica; lista brasileira que inclui hipertensão descompensada, diabetes complicada, infecções urinárias, asma, gastroenterites e outras condições cuja resolução adequada pela APS evita a internação hospitalar.
Rede AlyneRede temática de atenção materno-infantil instituída pela Portaria GM/MS nº 5.350/2024 em substituição à Rede Cegonha, com pontos de atenção como UBS/ESF, AGPAR, CPN, maternidades de risco habitual e alto risco, UCI e UTI Neonatais.
Sífilis em gestante e sífilis congênitaA primeira é o caso confirmado em mulher grávida; a segunda é o evento sentinela do RN ou criança que adquire a doença por transmissão vertical, considerado falha do pré-natal e oportunidade perdida de tratamento da gestante e do parceiro.
UCI Neonatal Convencional (UCINCo)Unidade de cuidados intermediários para RN que requer assistência contínua, mas em menor complexidade que a UTI Neonatal; parâmetro PC GM/MS nº 3/2017, art. 70: 2 leitos por 1.000 NV.
UTI Adulto Tipo IIModalidade de UTI Adulto definida pela RDC ANVISA nº 7/2010 (alterada pela RDC nº 26/2012), com requisitos de equipe, equipamentos e estrutura física compatíveis com média complexidade ampla.
UTI-dependente (causa)Condição clínica cujo manejo seguro, no momento agudo, demanda monitorização contínua, suporte ventilatório, hemodinâmico ou neurológico em UTI; AVC, IAM, pneumonia grave, sepse, IRpA e politrauma são exemplos clássicos.
Caderno de Saúde - PMS 2026-2029 | Moju | Assessoramento Akapu Saúde